"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


©Marli Franco. Todos os direitos estão reservados. All rights reserved. DO NOT COPY.

Amor Magno





Fabela -- O Leão e a Gazela II




 O Leão e a Gazela  II


A gazela estava a passear na savana
Era tão cedo, o sol ainda espreguiçava
A alvorada aquarelada no horizonte sumia...
Quando percebeu a gazela seu velho predador.

Não havia duvida, conhecia o seu fiel algoz
Tinha seu rastro gravado a leveza e a esperteza
Sabia bem o seu jogo, seu rosnado e sua corrida
Já o tivera em seu calço, ele tinha dado uma trégua...
Mas agora pelo visto voltava, com a barriga vazia.

Não ia ser ela o prato do dia, com calma ia fugir...
Deixava-o na espreita, ia fingir ir ao riacho, iludir...
Depois correr desgarrada para a mata fervilhando,
Até perder seu predador de vista, tudo rápido e planejado.

Mas o dia nada tinha determinado como pensara...
Ao fingir beber água um buraco no riacho encontrou,
Bem ali sua perna quebrou, que final mais tonto e louco...
Além de virar prato do dia do leão, estaria na bandeja,
Na bandeja do apetite voraz do leão sem outra solução.

Surpreendem-se mais uma vez com o dia, ao ver o leão
Vindo calmo em sua direção, passo firme olhos brilhando...
Olhou, fungou e puxou-a do buraco com ela petrificada.
Pegou sua perna, lambeu e abocanhou o osso puxando...
Colocou no lugar a perna, enquanto ela era só gemido.

O leão examinou-a, deixando sua juba esfregar na perna ferida.
Lambeu e mergulhou no infinito do seu pavor com seu olhar brilhante...
E sem mais rosnou, para que ela que dali sumisse, sem perguntas.
Afinal, ele era o leão, não o anjo do dia na savana ardente.
Um prato sem o gosto da caça é comida sem tempero, insossa...
Outro dia ele a pegaria na corrida excitante, estimulante de sempre...
Flamejante, no vôo da gazela na savana arfante.

Ou quem sabe como tantas vezes já fizera...
Deixaria ir só pra tê-la novamente, voando
Em outro amanhecer perfumando o ar,
Com a beleza da sua corrida na savana .
A corrida que tem o dom de explodir seu ser,
De ser o rei da selva desejoso da bela gazela.


Marli Franco 
Direitos Autorais Reservados®



Conto * Olhar e a Sala ...CapítuloVI...Sinfonia de um Beijo






Olhar e a Sala    

 Capítulo VI - Sinfonia de um Beijo

 

A sala encontrava-se adormecida em uma fresta da lua. O raio do luar mostrava que as estrelas estavam alertas ao evento que se preparava para desenrolar.

O silencio era quebrado apenas com alguns passos ansiosos, as botas faziam ranger o assoalho. Quando a imagem atravessava a luz da lua, distinguia-se apenas a roupa negra como a noite.

O invasor dono da sala, era quem se agitava na escuridão, mostrando sua inquietude ao relógio cujos ponteiros alheios andavam acelerando o tempo.

As horas passavam e seus passos ansiosos, iam e voltavam conscientes da audácia da íris em seu atraso.

Em um dado momento, ouviu passos suaves que corriam no corredor lá fora. Nem precisava olhar conhecia bem aquela suavidade que voava como uma borboleta amedrontada.

O momento de dar a desforra, pelo atraso havia chegado e a escuridão da sala era propícia ao seu intento.

Esperou estrategicamente a íris chegar bem junto da porta, como cúmplice tinha o elemento surpresa. Quando ouviu o trinco ceder chegou o momento exato da sua ação. Abriu a porta rapidamente e agarrou as mãos pequenas; puxando contra seu peito o corpo leve, levando um choque inesperado com o toque!

As suas mãos surpreenderam –se com a suavidade, contornaram a cintura trazendo o corpo mais próximo de si. A luz da lua brilhava mostrando os fios dourados da veste, véus que davam toda leveza e sutil transparência...A máscara apenas moldava os olhos destacando as írises verdes brilhando como um mar agitado. E os lábios vermelhos prontos para beijar num convite irresistível.

No calor do momento a íris suspensa na escuridão sentiu quando seus lábios foram tragados em uma onda de paixão. Retribuiu ao calor com a mesma intensidade, se entregando ao torpor do momento.

As mãos firmes em seu corpo eram como correntes tornando-a cativa da paixão alucinante. O corpo que a envolvia era como asas de um falcão que a levava como presa nas alturas da sedução.

E mesmo cativa sentiu, quando seu algoz perdeu a razão do domínio, se entregou nas imensidões do calor do beijo intenso...

O falcão voava nos véus, roçando as suas mãos na busca da pele que o perfume lhe inebriava, enquanto o beijo tinha o sabor do interminável prazer.

O tempo avisou nas badaladas do relógio que o tempo tinha que ser rompido, prolongar a entrega seria um passeio sem volta. O invasor sentiu que este seria o momento, de parar ou a necessidade da posse chegaria ao limiar, do insustentável desejo que alucina o ser...

Era um querer mais e mais, quanto mais sentia o calor do beijo maior o desejo de completar o sonho. O corpo flamejava, como a libido fora ativada em tal patamar se tudo tinha sido iniciado apenas como um castigo pelo atraso. E agora o castigo se invertia, pois desprender-se dos lábios seria a punição maior do desejo incompleto, o desejo de ficar com a íris em um tempo interminável nos braços e acalentar todos os sonhos mais loucos num misto de punição em forma da mais simples consagração.

A íris que se entregou na avidez do invasor, voltou a si e interrompendo o momento fugindo da sala no meio da escuridão.

O baile terminara antes mesmo de começar a música, mas a partitura estava escrita com toda nobreza da paixão. A íris tivera o bom senso, ou apenas confirmara com sua fuga que a punição que ele agora recebia a ausência do perfume e o sabor do beijo.

A íris voltou a sumir com seus passos agitados no corredor do mesmo modo que chegara. Só que o coração pulsava descompassado...

E o invasor ficou a olhar as estrelas pela fresta, numa atitude franca de quem agora tinha uma nova reformulação. Um beijo, um único beijo colocava em terra sua liberdade e aventura, as viagens estavam todas jogadas no meio do nada...Cativo de um beijo se tornara...

Fugir ...Precisava fugir, respirar o ar de fora da sala, já que o perfume da íris ainda estava na sala e o deixava com o coração palpitando em agonia pela perda, a sede da paixão fora suspensa....

Fugir seria o suficiente para manter sua mente longe da íris e outros mares acalmariam seu mundo interno.

Como que anotando tudo a sala observava a corrida do invasor, levando seus pertences assustado em sua maleta clássica...

E assim a lua deixava na sala sua magia inacabada, como uma brincadeira do universo de mostrar a força dos sentimentos espalhada em estrelas de emoção aqui na terra....

 

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


 


Conto * O Olhar e a Sala-Capítulo V --- O Convite



O Olhar e a Sala

Capítulo V - O Convite

 

 

A íris saiu em busca do seu refúgio no meio do dia, quando o sol estava em alta.

Sem pensar fazendo dos passos um voo, para poder aproveitar mais o tempo. Já que as horas tinham sempre o poder de ser mais rápidas, deixando apenas frações para suas andanças no meio das letras.

A íris parou diante da porta, ainda fechada, ajeitou os cabelos para demostrar equilíbrio ou recuperar o mesmo, que longe estava de sentir. E assim ainda agitada entrou na sala.

O invasor apenas olhou com um sorriso matreiro para ela e para o relógio mostrando que estava atrasada. Sorriu observando sua calma aparente.

A íris sentou-se em seu lugar, abriu a gaveta retirando seus papéis e a caneta, vendo que o tac..tac do pc voava. O seu olhar dirigiu-se ao invasor que capturou quase engolindo sua audácia. Agitaram-se mais as águas verdes e isso era impossível de esconder, ele já conhecia todas suas nuanças.

Silenciosa acabou por se concentrar na sua escrita, quando um envelope foi enviado deslizando na mesa. Sempre tudo no mais fantasmagórico silêncio.

Ela sabia que devia pegar, mas ficou como uma estátua, em um pedaço do tempo apenas para desafiar o invasor incisivo. Que simplesmente não esperou. Puxou sua mão sem palavra alguma num toque que até ele sentiu, mas quebrou a magia, colocando a carta na palma da sua mão.

Num gesto rápido e afobado ato o fez ficar sisudo, o choque do primeiro contato foi eletrizante, e suficiente para o olhar ficar acinzentado e ganhar o jogo desta vez.

O sorriso desafiava, apesar de meigo mas ciente do ocorrido as emoções do invasor existiam.

Resolveu não abusar da sorte, abriu a carta e ficou pasma ao ler. Era nada mais nada menos, que um convite para um baile de máscaras e seu para seria o invasor!!!

Quem sorriu agora em plena maldade fora ele, ficando à vontade na cadeira olhava-a sem pressa como um falcão analisando cada centímetro da sua presa ou seja do seu rosto. O jogo revertera em poucos segundos o convite aniquilara sua ousadia. Tudo parou até o tempo ao redor.

A sala apenas observava tudo consciente das emoções, que agora brincavam com seus dois hóspedes.

Há muito tempo que o espaço não sentia tanto glamour dos sentimentos, reviver estas sensações deixava a sala viva colorida em sua nobreza.

O sol já nem pensava mais em suas artes com o vento e a cortina, que passaram também a assistir o novo quadro que se pintava no local.

A mesa sentia toda vibração das mãos que pousavam em seu tampo, toques agitados, corridos, ansiosos.

O tapete sentia o compasso da mudança da posição dos pés, que em harmonia se mexiam em seus espaços em uma dança silenciosa e harmoniosa.

A arca muda apenas assistia, enquanto o vaso sobre a mesa sorria antevendo todas as fantasias ali traçadas nas linhas do pc ou nas linhas do papel que agora mudavam invadindo espaços ora na prosa ora na poesia. Ainda escondidos o pc se deixava levar pelas mãos da brisa voando em versos enquanto o vento agitava o papel rodopiando nos caminhos da prosa. Depois quando tudo serenava os dois hóspedes voltavam a desfilar cada um em sua melodia o invasor na prosa e o olhar esverdeado na poesia.

O relógio aponta a hora, novamente o tempo fica curto, os papéis são guardados na gaveta apressadamente, na agitação dos segundos o convite acaba caindo.

O invasor se coloca obstruindo o caminho, pega o convite com a caneta assinala o horário mostrando que não admite atrasos.

E tentando mostrar que tem a força, dobra o convite nas mãos do olhar e as fecha alisando numa atitude de pura audácia prendendo entre as suas num tempo a mais do relógio.

O toque é suave e aquece ambos que estáticos se prendem a olhar ambos o envolvimento das mãos.

A íris lança faíscas do mais puro verde, e foge ainda sentindo a sonora gargalhada da brincadeira ousada do invasor que mais parece um enigmático falcão.

Longe do poder do invasor o olhar respira compassadamente, pensando agora como ir neste baile do qual não pode fugir e como estaria fantasiado o invasor?

Mas tudo isso é algo para pensar em um outro momento quando o tempo em sua lacuna deixar a íris viajar em mais uma aventura.

Enquanto isso o desfile da prosa e da poesia fica no ar até o tempo certo aparecer ...

 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados® 

Conto * O olhar e a sala - Capítulo IV.....O Invasor





O Olhar e a Sala

Capítulo IV.....O Invasor

 

A porta da sala está fechada, o olhar costumeiro se assusta e força o trinco entrando agitadamente.

O assombro ao ver o invasor de costas é assustador. Como se fosse congelada, o olhar verde acinzentado se veste de um brilho verde esmeralda tal a sua surpresa e agitação.

O invasor, não se abala com sua entrada, está plenamente acomodado a sala é seu domínio, o espaço é território altamente conhecido.

Sua figura aí faz parte tanto quanto as mobílias.

Como um viajante que retorna ao ninho a sala o acolhe como seu senhor no espaço, sua figura ardente e dominadora.

O olhar esmeralda recompondo-se vistoria a sala e os detalhes para notar se tudo ainda está presente. Mas apesar de nada faltar, não está com a mesma composição.

O estilo do invasor tomou posse da sala e ela permitiu toda a mudança servilmente e ainda regozija com sua presença.

O vento está lá namorando a cortina, o sol lá fora olhando ciumento sem poder entrar.

A arca está formosa com as gavetas reviradas sorrindo ao invasor que com suas mãos acariciou seus detalhes.

O tapete continua estagnado sustentando sua musa a mesa, que no momento só tem olhos para servir ao invasor segurando suas abusadas irreverências.

O caos está instalado na mesa, o vaso do centro ficou sufocado fora de foco com a chegada do mais novo inquilino o. Um sujeito moderno desfocado no contexto da sala. Mas que como seu dono é espaçoso e arrogante, dominador, como um nobre dos tempos atuais. E todo ambiente fica relegado como míseros mortais da classe renascentista da sala.

No resto da mesa potes e mais potes de comidas prontas misturadas aos talheres de prata e copos de cristais criando um choque espantoso, parecendo tudo aos olhos um campo de batalha entre a renascença e o modernismo.

O invasor lá apossado ainda tinha todos os disquetes empilhados ao lado dos potes.

A íris esmeralda se senta bem em frente ao invasor, olha-o com faíscas de um ícone renascentista e em troca recebe um sorriso audaz de quem é dono e chegou para brilhar.

A íris pega na gaveta da mesa suas armas a caneta e seus papéis, sentindo o silencio de outrora tem agora o tac-tac do invasor e terá que se acostumar a sala já o acolheu.

Envolvida em um impulso, ela levanta-se pega uma cesta de vime e retira da mesa todos os potes de comida do sorridente piquenique. Coloca o vaso e a toalha em seus devidos lugares dos quais recebe um suspiro de alívio. Retira da arca a bandeja de prata, o cálice de água e a jarra que coloca comportadamente na frente do invasor. Num claro recado que podia brilhar no espaço, mas sem estardalhaços.

O invasor apenas sorri numa evidente resposta de que estava consciente de toda agitação que a íris estava sentindo. E com seu silêncio cheio de palavras continua teclar seu texto vigilante ao respirar da íris. Ele se posiciona na cadeira demonstrando que quem roubou o refúgio foi ela e que ele é o senhor da sala.

A íris agita seu brilho, sabe que é verdade; as cartas encontradas na gaveta da arca eram dele repletas de viagens, amores, estudos e desamores, reflexões. Ela sabe que tudo ali é conhecimento dele, os livros dentro do fundo da arca, eram a maior prova com seu nome cravado em letras douradas.

O invasor assente com suas mãos que ela deve permanecer e que seu lugar é exatamente aí perto e distante em horizontes na mesma tábua daquela mesa. As suas mãos não admitem outra posição. Ele a quer assim silenciosa com sua caneta soando apenas o som da virada das folhas.

A íris sente-se fragilizada, acorrentada a vontade do invasor, presa nos grilhões do seu sorriso, despida no movimento das suas mãos audazes. Ela esconde seu brilho de rebeldia abaixando as pálpebras, transporta-se ao papel em uma enxurrada de palavras. O invasor desata em uma sonora gargalhada de vencedor na batalha calada ali travada, entre ele e a íris esverdeada que tanto o instiga.

Ela o olha, brilha em raios verdes de quem se submete no momento instalado, mas agirá dentro das asas da sua liberdade ainda que sejas pequena perante o forte invasor.

O vento se agita na cortina avisando que a hora da lua está chegando, tem que se despedir da sua amada. O invasor afasta a cadeira e com passos firmes vai até a janela fechando sem perceber as nuanças ali vividas.

A sala entra na penumbra, o invasor conhecedor do espaço acende a luz dos candelabros e liberta seu sorriso mostrando que vai abrir a caixa de vime.

A íris reage lançando seu brilho na jarra d’água. Ele fecha o sorriso e aceita sua vontade. Vai na arca e abre uma das portas aciona o aparelho de som inundando a sala com uma música de final de tarde.

A íris brilha aprovando e volta mergulhar em sua folha. O invasor se aquieta e se senta em seu posto de volta, ao tac-tac do seu teclado.

A íris já mergulhada no ardor da sua fantasia, sabe que o invasor acompanha suas delicadas linhas.

O invasor é altamente encantador, dono de uma inteligência magnifica e consegue atingi-la no seu ponto mais vulnerável.

Mostrando o seu domínio faceiro conquistando-a com as terras riquíssimas do seu texto.

A ela só resta no momento se soltar nas linhas da sua poesia: 


A sala honra o invasor

Nas paredes dos papeis viajados

Desvendando os mapas secretos da íris

Perfumes de outrora confinados

No meio de ardentes versos.

 

O vento dança na cortina da ilusão

Nas mãos do invasor competente

Jogada de um olhar a cintilante íris

Desnudada de suas frágeis letras

Em entregas de flamejantes das quimeras.

 

A arca conjuga a inspiração do invasor

Nas palavras que nascem como estrelas

Descobre na íris os desejos que o invade

Arfando em beijos emoldurados

Nos braços que se fecham vorazes.

 

 

O tapete transporta a recente ilusão

Solicita no encanto de cada verso

As caricias unindo em uma só paixão

Uma só poesia vivida na prosa

As viagens das linhas em ebulição. 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®






Um perfume de lavanda e um sorriso glacê




Lembrando que o ano de 2009 consolidou eventos França – Brasil
em retribuição ao ano de 2005 Brasil – França
A fantástica troca teve o encerramento no último dia 15 de novembro.


Um perfume de lavanda e um sorriso glacê


A vida é pura arte nas mãos, quando em Toulouse olhar.
Vou pensar nas margens do Sena para contigo sonhar,
Do meu abajur de Eiffel sou vista em mar de cirandas.
A entregar um sorriso glacê, nos povoados de lavandas...


A minha via é esta rua de perfumes lembrando arminhos,
No coração em mim habita os buquês de carinhos.
Vejo o canto do realejo e lembro a sala e um belverde,
A minha voz nos matizes de Delacroixs assim se perde.
Na minha calçada de gracejos, Moulin Rouge desenho
Em vespertinas cores da minha alma, nuvens de Paris contenho.


Na minha aquarela da Notre Dame, das torres quero tocar o céu...
Nas vizinhanças passo na herança do Arco do Triunfo com um véu.
Como o rio da minha voz até a Place de Vosges seguiu o curso,
A música inspira o balé nas calçadas dos cafés em percurso.
Os teus caminhos são pura paixão, a colorir em suaves galanteios
E solicita um beijo ,na mais bela avenida do mundo em volteios
Com direito na Champs Elysées aos românticos sonhos .

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®







O beijo, de Auguste Rodin, 1886.
............................

"O Beijo " a excelência da arte  que em 2009
São Paulo teve o privilégio de receber no
MASP ”Rodin: do ateliê ao museu –Fotografias e Esculturas”, fizeram
parte das comemorações do ano França –Brasil.


"O beijo quando escapa na arte das mãos apaixonadas
Consigo leva o etéreo Amor à face da profundidade
Perpétua a perícia arrasadora na forma aveludada
E concede a humanidade o registro na imortalidade."


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

O Silêncio da Casa


O silêncio da casa...

O dia se findou e a lua veio sem graça hoje.Não sei por que ela esta tão apagada, as estrelas refugiaram em alguma galáxia talvez para ficarem mais belas,  eu estou aqui no silencio do agora...
A casa silenciou, a juventude se aquietou e a passeata na cozinha teve sossego. O fogão e a geladeira como sofrem nas férias tantas vezes se abrem assim sem esperar; os armários pobres coitados ficam dependurados com as portas entre abertas,  a todo tempo sai correndo um prato ou um copo.
Copos... Quantos copos, muitos parecem um exército dentro da pia. E ela coitada uma trincheira que fica entulhada de tantos elementos de cristais baratos, a torneira fica só olhando como se o tempo fosse interminável e sua maravilhosa água viesse ser a mágica para desafogar todos pedidos da pobre pia.
Apago a luz ,a cozinha esta dormindo agora tranqüila. O fogão fechado respirando... Aliviada a pia finalmente limpa ,sem nada para perturbar seu sono de beleza. A sala de jantar ainda tem luz , mas só o cachorro esta deitado aos pés da mesa ,tudo tão tranqüilo na parte de baixo da casa .
Na sala de estar só se ouve o tic-tac do teclado resmungando alguma prosa sem muito sucesso claro só para passear no monitor. Hoje  o monitor resolveu ficar nervoso com a queda de força, se apagou pondo um ponto final no texto pronto para ser dependurado lá no mundo distante. Depois de um certo tempo ele voltou a ser ouvido...tic-tac...tic-tac e lá vai a prosa sem muita estória rodando a casa.
Engraçado quando a casa fica assim neste silencio, me pergunto como será que esta lá longe o Senhor conde? Como será que ele faz café, será como eu aqui?
E como será seu desjejum?Interessante imaginar isso... Como o Senhor conde    escreve?De chinelo nos pés, não de jeito nenhum não ficaria bem acho que escreve descalço. Talvez use paletó o Senhor conde ou talvez não?O que importa tudo isso nada, mas seria interessante saber de alguns detalhes do dia, afinal todo dia o vejo passeando lá no mundo.
O tempo voa já são vinte e cinco minutos do novo dia, estranho isso parece o homem do tempo falando sobre a chuva: ”Vai chover às 14:00horas”... (risos).Chove no outro dia quando você esta toda linda para sair.
Ah! Voltando ao Senhor conde acredito que há esta hora deve estar dormindo com seu teclado esquecido em algum aposento, pronto para ser acionado a qualquer momento para um mundo diferente, muito diferente carregado de quimeras, doces quimeras...
E o silencio Ah! O silencio, eu e o Senhor conde ambos temos algo em comum apreciamos este fazedor de sonhos, quanto ao café, bem o café se pode ser  com sorvete ...Mas no momento é tudo imaginação da noite com a lua assim apagada e tão silenciosa...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



O Olhar da Terra

 



 O Olhar da Terra


Suplica a criança o amor da terra mãe
Na posição fetal, aconchegado nas trincas do seio.
Dobra a coluna, sem sustentação, a vida flagrada
Exposta com a vergonha do abandono do homem
Que cego, finge ignorar o abalo do mundo.
A face bebe na terra silenciosa, o cálice da tristeza.


A inocência se entrega às feras da dor aceitando o destino.
Leva o escudo da crença da tribo na nudez do mundo vil.
Visível apenas aos olhos da ave, de instinto mais honrado
Que paciente olha estagnada, na espera da providência divina.
Quando a estrela da vida voa desta miséria absurda
Libertando o espírito, do cárcere material.


Transparece nas vértebras marcadas da pele
O suporte frágil do corpo, de alma pura.
O último sopro de dignidade rumo à luz
Surge na bagagem da estória de tantas vidas
Aprimoradas, nas contas brancas de colares e pulseiras.
A herança marcada nas algemas do corpo que massacra.


Focaliza o urubu, a imagem na vista dos homens cegos
Que finge apenas assistir a dor do flagelo, na ignorância.
Enquanto ele aguarda o desígnio do céu para voar.
Em desalinho, limpando o rastro do corpo exposto.
Dando a mãe terra, a renovação eliminando o flagelo da dor.
Do amontoado de vermes que espancam os corpos infantis.


O homem, no templo interno do seu conhecimento, nada entende...
O tempo aciona os ponteiros na foto do espectador urubu.
Como a límpida água, a imagem segue o perfeito curso da natureza.
Aproxima o momento de olhar...
Que o espírito milenar, liberta...
Na luz infinita da paz...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®




Poema inspirado na imagem  da
 criança e o abutre  do fotógrafo sul-africano Kevin Carter



  Tradução feita pela Poeta Imortal Rosa Buk, do Fórun Poesia Pura.
Foi uma honra receber esta tradução  da imortal Poeta
que uniu nossos idiomas em Poesia.

 

A Mirada de la Tierra

Suplica el niño el amor de la tierra madre
En la posición fetal, acongojado en los tríos del seno.
Dobla la columna, sin sustentación, la vida flagrada.
Expuesta con la vergüenza del abandono del hombre
Que invidente, finge ignorar el temblor del mundo.
La faz bebe en la tierra silenciosa, el cáliz de la tristeza.


La inocencia se entrega a las fieras del dolor, aceptando el destino.
Lleva el escudo de la creencia de la tribu, en la desnudez del mundo vil.
Visible sólo a los ojos de la ave, de instinto más honrado.
Que paciente mira estancada, en la espera de la providencia divina.
Cuando la estrella de la vida vuela de esta miseria absurda
Liberando el espíritu, de la cárcel material.


Se transparenta en las vértebras marcadas de la piel
El soporte frágil del cuerpo, de alma pura.
El último soplo de dignidad rumbo la luz
Surge en el equipaje de la historia de tantas vidas
Mejoradas, en las cuentas blancas de collares y pulseras.
La herencia marcada en las esposas del cuerpo que masacra.


Focaliza el urubu, la imagen en la vista de los hombres ciegos.
Que finge sólo asistir el dolor del flagelo, en la ignorancia.
Mientras él aguarda el designio del cielo para volar.
En desalineo, limpiando el rastro del cuerpo expuesto.
Dando la madre tierra, la renovación eliminando el flagelo del dolor.
Del amontonado de gusanos que carcomen los cuerpos infantiles.


El hombre, en el templo interno de su conocimiento, nada entiende...
El tiempo acciona los punteros en la foto del espectador urubu.
Como la límpida agua, la imagen sigue el perfecto curso de la naturaleza.
Se aproxima el momento de mirar...
Que el espíritu milenario, libere...
En la luz infinita de la paz...








Conto * O Olhar e a Sala- Capítulo III.......Outono


O Olhar e a Sala

Capítulo III.......Outono

 

O outono se apresenta rondando a primavera, os dias vãos morosamente voando ao encontro das flores.

A sala anda esquecida, sem visitas apenas o silencio companheiro do cotidiano.

Tem uma caneta que foi esquecida, e o papel ainda tem letras voando nas linhas.

Do vaso vem o perfume de gerânios como se tivessem sido colhidos neste exato momento.

A cortina está sempre na espera ansiosa do olhar que proporciona seus encontros felizes com o rei Sol que aquece seus sonhos.

A sala nesta fase se embriaga de fantasia, o jardim lá fora já despontar as violetas, madressilvas, rosas e margaridas.

As borboletas fazem a dança anunciando que logo chega a sua estação.

O olhar desta vez foi intempestivo, nem parou na mesa que enciumada viu bem sua direção para arca.

A cortina deu seu agito, mas o olhar fez da sala apenas uma passagem. Seu mundo interior perdeu o canal das letras no meio da sobrecarga.

O refúgio da sala ficou aprisionado na realidade da lógica. O real veio como uma enxurrada lamacenta manchando todo sonho. Tragando a ilusão, impondo seus pontos desconexos, que aterrorizam a delicadeza das verdes íris. As lembranças estão no ar pedindo pelos versos, mas a caneta esta jogada amedrontada, tem medo das correntes rimadas e das fitas da métrica que sem licença amordaçam suas estrofes.

O abstrato teve só um segundo do tempo para voar. Pousar no recanto escolhido, sair fugindo antes que perdesse as forças e fechasse a porta para voar nas linhas da poesia...

 


O olhar esgueira na sala

Silencioso no fundo da alma

O toque delicado soa no assoalho

A mesa enciumada nota a presença.

 

Sem o sorriso fecha a cortina

Nem fresta da janela permite

Para revolta do vento e do sol

Que se unem na busca da amada

 

O dia de hoje a metade já alcançou

É tempo de abrir as gavetas da arca

Que isolada na sala se faz de soberana

Revela os mistérios do senhor do tempo.

 

Sem pressa alisa o puxador

Abre paulatinamente escutando o rangido do tempo

Encontram fitas, fotos e papeis descansando

Cúmplices do tempo usado e amarelado.

 

As mãos tremulam tocam timidamente

Percorre o espaço das gavetas sem pressa

A nostalgia embarga o pensamento

A cortina se mexe pedindo ar.

 

Na tormenta das lembranças

Deixam o olhar as gavetas

Abre as janelas para o sol e o vento

Sai apressado fechando a porta do esquecimento.

 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®