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Escrita do Fogo


A alma sabe ler o avesso do verso, expurga tal qual uma devota Como os ventos sabem onde nasce antes mesmo de fazer sua rota Como as mãos sabem a hora de ter que iniciar a escrita do fogo O coração desvairado olha o delírio ardente que palpita no jogo.
A alma sabe ler o luar, as estrelas, sabe emergir na voz do vento Romper as grades e voar entre o céu e a terra no sentimento Quebrar a quietude para voar na capsula da solitude  e sentir A caricia suprema da alma do outro deslizando no seu intuir.
O feitiço queima o corpo como um vulcão em erupção Nada se compara ao elixir da viagem noturnal da comoção Só a experiencia das mãos vagueando na luz no céu de mel...
Não há como expandir sem o fogo do amor na noite do coração A chama perpétua da escrita desmanchando nas linhas espalma O sutil olhar sabe captar o desejo na palma que só fala da alma...

Marli Franco Direitos Autorais Reservados®

Sutil Feitiço

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Sutil Feitiço

Na flauta dos bambus vem o som da alquimia Na luz do dia amanhece a estrada refeita de energia E entre os bambus o rio navega sem parar e professa O sol se aquece no amor da lua que sempre confessa.
Nas lendas dos bambuzais voam as vozes ancestrais O vento carrega o sorriso das mariposas confidenciais No cálice das palavras o fluir dos sonhos no seu balanço Reprisando segredos que só o rio relembra em seu avanço.
Nas alcovas dos bambus o delírio das mãos te arrasta Conta as estrelas que a sensação nos corpos incandesce A palavra nua se veste de paixão e nos versos entorpece.
Há quem diga que no bambuzal a lenda do amor devasta No caule sempre altivo e flexível no tempo não desespera   No balanço dos galhos o seu coração com sutil feitiço impera.


Marli Franco Direitos Autorais Reservados®

Tarde Poética

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Tarde Poética


Sinto falta do papel e do lápis ...
O teclado não corre como meu desejo ... E aquela mesa quebrada ali na frente, equilibrando-se em um vaso de flor sorrindo, delicadamente vai parando o tempo ....
Sem parar os passarinhos e seus pezinhos .... Os passarinhos   com seus biquinhos tão fininhos e suas cantorias emanando bem-estar no meu agora...
O tempo desacelera e a minha tartaruga interna desliza na mesa quebrada ...O meu olhar se viu em nudez de poesia, deixando nos pés da mesa quebrada as vestes das preocupações … E assim a tarde trocava as horas entre linhas e o aroma das flores, ao sabor do vento manso até a poesia se cobrir; naquela tarde morna de gratidão pela escrita minha doce amiga...

Marli Franco Direitos Autorais Reservados®



Perfume de Poesia

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Perfume de Poesia

“Hoje olhei o amor em minha alma Tão belo, tão reluzente fechei a porta Sai sem fazer barulho não quis acordar O amor na minha alma. ”
Havia um perfume inebriando as cortinas Um sol que faz na casa interna sua festança Na varanda o vento brejeiro que alucina Faz graça de gato espreguiçando na tardança.
Haviam canções no assoalho das andanças Sonhos coloridos amanhecidos na lua franca Jogados lá na mesa na sala das lembranças Com a toalha bordada de relva branca.
Hoje, só hoje entendi depois de sair Que vou voltar, quando relógio deixar Ver o amor da minha alma, o elixir Em perfumes de poesia fluir e amar.
Marli Franco Direitos Autorais Reservados®

Asas

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Asas
Quero asas para voar acima das montanhas Longe, distante acima das terras estranhas Alçando as nuvens descobrindo novos ares Escutando no azul as vozes lunares.
Quero os meus perfumes para sentir A leveza do meu viver, a evoluir Tocando como ventania de fita Colorindo meu corpo de voz escrita.
Os pés precisam de plumas As pedras não calçam espumas Nem servem para caminhar.
As mãos de pétalas são prosas Os espinhos não são rosas Vivem no mesmo caule sem cativar.
Marli Franco Direitos Autorais Reservados®

Lume Sagrado

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