Contemplação



Contemplação


Estou de ti a um passo na contemplação
O olhar viaja na tua camisa   entreaberta
Agarra na imagem das tuas mãos e desperta
O  coração que visualiza a tua voz na canção.

Na tua realeza até um sonho se escandaliza
Sem permissão para retroceder no tempo
Nos teus braços o entrelaço do movimento
O sorriso caindo no teu colarinho, assim sinaliza...

Se a noite deixar o desejo reagir no teu olhar
Captar a liberdade enquanto as estrelas abraçam
Com sorriso e alisam teus cabelos pertinho do luar.

Na negritude da meia noite enquanto o silencio falar
Sussurros da alma são gravados nas tuas costas, contam
A contemplação perseguindo o teu porte ao caminhar. 

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados® 



Sol em Amor



Sol em Amor

O sol me carrega para poética aquece minha alma nas vestes outonais. O sol sabe quem sou, ele já bem me estudou...

O sol  bronzeia o meu corpo, transforma e reforma minha energia como o vento levantando as folhas caídas na rua. Eu já não sei quando busco o sol, ou quando ele chama e só atendo ao pedido trigueiro...

O rei é tão imprevisível e ao mesmo tempo é como uma música perfeita que já sei o ritmo, sei que vai se apoderar de mim sem parar até mover o meu eu em seu compasso de querer.
O rei entrou na minha alma com sua máscara dourada e foi aquecendo todos os meus labirintos secando todas as folhas molhadas das noites de avelãs.

O dia vai rodando as horas passando e eu envolvida com este abraço do sol, sua boca soltando beijos me fazendo sorrir com os encantos poéticos. Quase não sou poesia diurna, sou mais filha da lua com versos da boca da noite solta na madrugada cobalto.

O rei hoje sussurra palavras que não distingo de propósito, me faz arregalar os olhos e depois ele solta as suas extravagantes gargalhadas fazendo até as nuvens dissiparem.

Hoje o sol me confiscou e acolheu na prosa poética, em um improviso do tempo, no meio dia o seu reino me faz afoguear em inspirações douradas e as minhas vestes outonais ficaram em brasa no abraço tão perfeito do sol em Amor.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados® 



Boêmia



Boêmia

Encontrei o movimento  na tua canção
O arranjo bateu nas paredes do coração
Explodiu feito fogos de artificio o instinto
Dancei no teu palco cor de vinho tinto.

Fala no teu som... escuto na minha alma...
Em sintonia olho você seguindo com calma
Somos notas diferentes na alternada boêmia
Ainda   a chance da alegria brilha na melodia.

Se de azul vislumbro teus dedos na algazarra
Em teus lábios me perco ao som da guitarra
O legado vem nas palavras carmim que enredam
Na sensação tuas mãos revelam o que despertam.

Os teus passos são perfeitos feito promessas
Sutis sentimentos nos acordes que se confessa
A tua melodia ecoa na entrega sinto-me vencida
Nas intenções a poesia nasce assim consumida.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®





Teu Casaco



Teu Casaco


 No bolso do teu casaco
A palavra dobrada destaco
No teu olhar pedinte da fala
A música soletra e desembala
Nas tuas costas meu barco navega.

No bolso do teu casaco
Com a minha metáfora atraco
Antes do beijo nas ondas do Pacifico
Um selado desejo eu já santifico
O reviver do acaso, o sonho roubado.

No teu olhar a noite e a negritude
Eu vi o ontem e o amanhã na solitude
Na tua voz esqueci tudo evolui
No presente só em tuas ondas flui
No final desapareci no teu sorriso
O encanto foi tão pirata me engoliu
Inserindo-me pra dentro do teu coração.


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



Jardim dos Pessegueiros


Jardim dos Pessegueiros

Te amei nas floradas dos pessegueiros
Com o vento acariciando feito feiticeiro
O sonho de encontrar com tua alma
O sol me aquecendo com toda calma.
Consegui não congelar em algum nevoeiro...

Te amei sem lacunas, sem desembaraços
Recostada no abraço na força do entrelaço
No teu tronco o alicerce, na luz da serenidade
Com o cair das folhas o carinho de toda verdade
No perfume do amor o encontro em nosso terraço.

O teu sorriso surgindo nas águas cantando
Em cada folha caindo as notas instigando
A tua majestade no silencio inspirava
O porte do rei, nos olhos da noite reinava
No beijo da lua, o crepúsculo veio vingando.

O impossível é conjugar o passado
Ao lado do amor o verbo se fez ser alado
E aplicar o verbo esquecer sem sentir é pecado
O jardim dos pessegueiros é  segredo celebrado ...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



Vozes da Inspiração



Vozes da Inspiração


O crepúsculo me intimida nos braços do amor
E a cor dos teus sonhos falam de beijos e calor
E teu torso escaldante afugentando a nevada
Intensificando a voz que chega na lua calada...

Se fosse eu lua beijaria tua jogada de cor sagaz
A noite chegando o lilás voando no ocaso tenaz
Se fosse lua com a prata no horizonte desmaiada
Ancorava no amor e navegava no céu inebriada.

Se tu crepúsculo e eu lua talvez noite afora afogados
Os dois em plenitude no canto do vento embalados
 Vestidos de desejos embarcaríamos no barco da ilusão.

E na eternidade das belas noites de ilusões amantes
As paixões, encantos que clamam os sonhos vagantes
Tu e eu somos as vozes que caem na inspiração...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®




Pintura da Vida



Pintura da Vida


Movimenta as asas do pensamento
Indireta na montanha dos questionamentos
A direção mais interessante para alongar
As inquietações, as atribulações para aprimorar
A emoção pulsando no timão da sabedoria.
Enquanto na bagagem a disciplina bramia
A luz da quietude percebia as sentinelas
Na ordem o universo gera a plenitude da tela.


Nasce como magia do nada uma variante
Em dias de chuva ou de sol se fazem presente
O pensamento alternativo surge resolvendo
Se preparado para as adversidades recriando
A sua majestade o acaso que o todo modifica
E transforma a situação em lição que edifica
No desafiante movimento da aventura
Inspirativa a estrada da vida é uma pintura.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®






Flamboyant



Flamboyant 


A ti flamboyant que vem me tentando
Com as suas folhas de outono flertando
Fazendo música nestes dias de meio frio
         Na cidadela das estações criando cenário.

Volto a revogar o silêncio das inspirações
Fico nas asas do vento puro sem predileções
Nem de abraços clamo nos cantos dos teus galhos
Ou afagos e agrados na copa dos verdes atalhos.

Olho tua alma vibrante no parque da madrugada
No teu tronco o repouso e guarida na invernada
Nas noites de sereno que soletram vozes milenares
Vem os teus desejos algozes das minhas letras lunares.

Sonho com folhas e aroma da madeira no prefácio
Nos contornos do acaso selamos juras do palácio
Na sombra da tua copa com o sol quase chegando
A nossa trilha dos dias de outono queimando.

E então flamboyant ainda com este ar de outono
Esperando o rápido inverno revelar que apaixono
Como neve derreto-me nos teus galhos majestade
Não revogo o pedido de amor na estação da vontade.

No final da temporada vou  te ver ,florir em eterna jornada...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



Sentimento



Sentimento


Um mundo dos sentimentos a rolar nas páginas
As folhas se amarelam nos sonhos que predestina
E o amor a luz que vai gerando folhas na videira
Em nostalgia acolhida nas rimas da papeleira.

As palavras plainando escapam do coração
A mãos frias se aquecem no sistema da emoção
A inspiração agitada reinventa no passado
Se reintegra a vivenciar a canção do amado.

E o presente faz a folha ser aurora da comoção
A pena a bela esperança do momento na ilusão
Teatral fio da dramaturgia nos pensamentos
O suspirar da saudade, indelével sentimento...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®







Anos de Saudade!




Anos de Saudade! 




A tua voz consagra a alma em alegria
E o sol solta o ouro uma voz de energia
E os pés giram buscando na luz voar
O pensamento se dilui no ato de amar...

Se a lembrança fosse só ourives da vida
A luz dos anos de saudade seria absolvida
A voz agraciaria só em poesia do amanhecer
Do ser, a mergulhar nas letras, até adormecer.

O sol aquece o céu e a terra do coração
Voar é solitário o nada é tudo na inspiração
O amor ocupa o espaço incluindo o inatingível
Então na jornada o sol se tornou o rei tangível.

E enquanto o tempo vai no passado passeando
Reatando a paz no presente a agonia expulsando
Retorno do precipício ao sol da alma comporei
A tua voz vira beijo e a lembrança o ouro do rei. 

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados® 



O Cisne e o Piano




O Cisne e o Piano



Uma tarde de silêncio invocando um piano ao fundo na sala parada no fio do tempo.
 Um momento de respirar a profundidade de si mesma, a amizade com a alma em cada nota do piano. As notas que silenciam o externo e suas configurações distorcidas da verdadeira plenitude.
O cisne clama para sentir este silêncio profundo, na voz que salta da paz agraciada como se as asas alcançassem um voo supremo.
 O sentir dos elementos existências tocam as asas acima da comoção, o transmutar vai além da terra, navega nas águas mais leves até plainar no infinito do ar.
A sensação no momento sem a realidade tensa, repleta de adornos preocupantes e vozes desgastantes. O cisne nas águas da alma a sentir o sol em si mesmo, até chegar a sua lua ao voar.
 No cisne responde a voz latente da realidade disforme da plenitude.
A sala sustenta o piano, sustenta a evocação do cisne atingindo a grã personificação da alma, a que amplia o coração na aprendizagem suprema.  
No silencio e para o silencio a onde está a graça plena do bater de asas, sentir que água lava da terra e tudo que agride nas lições exaustivas; nas verdades pequenas diante da grandiosidade do supremo ar ,quando o voo invoca a sabedoria da espiritualidade.
A linha do cisne estabelece no royal avançando ao púrpura da iluminação ,atingindo o infinitivo do branco que aborda e aporta na grandiosidade das asas da paz, para apenas voar e sentir-se livre no ar...


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados® 

Silêncio da Temporada



Silêncio da Temporada


Aconteceu o outono no firmamento
Em passo lento abril abraçou o vento
Despertando sentimentos de gratidão
E   veio nos cantos e vozes de maio a sensação
Chegando insuperável aos olhos dos amanhãs
Feito flores a nascer, perfumes de romãs
O vento e o ar tocando harpas a mover rajadas
Nas folhas o mormaço do silêncio da temporada...


E enfim o ocre tingindo os dias de outono
A mais linda e infinda poética no trono
Do sol a namorar e a lua aquarelar
A novela inexplicável e eterna a romancear
Que faz o sol em toda aurora ao luar um tributo
E a honraria da lua ao rei no anoitecer o seu fruto.


Nos tempos outonais voa os movimentos lunares
O amor é vigilante da lua em seus bulevares
O sol dorme nas esquinas das marés na hora das desfolhas
Refletindo na estação o desapegar-se das escolhas
Caídas no regaço das altas ilusões infindas e caladas
Como a tal novela que passeia nas madrugadas
Em uma só lágrima abraçada na saudade
Ao clamor do orvalho dissolvendo a sensibilidade.
Ah! Outono o vinho nostálgico das estações ...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®