"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco

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As Duas Aves


 

As Duas Aves

 

Uma escrivaninha se esconde na clareira da alma.

 

Na mesa a águia pousada em um descanso da longa jornada.

A coruja que enfeita a estante da sala saiu do lugar de honra, foi alçar um voo noturno.

Se fez necessário averiguar tal qual um detetive, como estava a sua Dona vagando nas terras concretas da mente.

Ao levantar suas asas logo chegou sob a luz do luar. Fez seu pouso na árvore mais próxima. Logo notou o que se passava e entendeu o ocorrido, sua Dona ficara presa.

 

 A sua Dona estava longe dias e mais dias da sua sala. Em sua sala ela abre logo de manhã as janelas para o sol beijando as réstias de luz. Lá onde ela todos os dias abraça o vento com seu sorriso gentil.

 

Então era isso que estava ocorrendo, sua Dona estava presa em um mundo onde não conseguia sair. Um lugar que estavam sugando sua leveza e não podia alçar voo e voltar para sua sala, o seu refúgio onde era seu verdadeiro lugar.

 

A coruja viu tudo com seu raio de 360 graus e voltou antes da madrugada findar e o sol raiar.

E assim fez seu pouso na mesa ao lado da águia que com um só olhar da coruja, saiu do seu descanso para salvar sua Dona.

Em um voo perfeito a águia seguiu rumo ao sol, viu logo quem procurava. E assim mergulhou em um rasante e capturou sua Dona. Foi alçando voo de 180 graus direto ao céu novamente.

Em pleno voo levou-a reviver ao sol e com sua luz dourada. E assim fez a águia um resgate perfeito.

 

 A vida voltou com sua Dona de volta ao refúgio.

O mundo voltava ao normal, agora ninguém mais ficaria no descanso. As duas aves se olharam e em silencio confirmam são pilares de proteção para sua Dona.

Ah! quem não gostaria de saber sobre a vida no refúgio e quem é sua Dona? A Dona da alquimia da luz perfeita só pode ser ... A Poesia.

 

Indo adormecer a Poesia sussurra:

“Não ousarei jamais ficar sem as minhas Aves.”

 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®




Era uma vez uma lenda... O Sultão e a Ave


 


Era uma vez uma lenda... O Sultão e a Ave

Recanto ...19/07/2009

 

 

Um sultão que criava aves com dedos hábeis e com leveza de quem sabe lidar com a nobreza dos seres delicados. Para tudo tinha ele um trato, com sua perícia e vasta filosofia era mestre na arte ao reverenciar as aves.

 Nada ele dizia ao acaso para elas, tudo era falado com fino trato...


Havia uma dentre as aves, no reino do sultão que das tuas mãos não saia. Era ela o tempo todo a ave escolhida, pois ele havia sonhado por anos e a encontrado sem esperar, numa simples noite quando saiu para caçar.

As plumagens eram da cor do marfim, no entanto quando ela voava suas penas brilhavam na luz do sol ou do luar, dando nuances furta-cor e um brilho inigualável.

 

O sultão quando encontrou pensou que ela não passaria daquele momento, sua fragilidade tinha atingido o ponto máximo, com uma delicadeza infinita levou para o palácio e ali cuidou dela descobrindo que na verdade era mesmo uma nobre no reino das aves, era ela um cisne aperolado.

Descobriu que ela estava assim desfalecida na floresta por causa da perda do seu par. E este fato levou-a chorar tanto que sua força tinha ido, no local onde suas lágrimas caíram na relva nasciam violetas de muitas cores que a protegiam, até sua chegada.

 

O sultão depois de vê-la se recuperar, conseguiu pequenos risos dela tirar, nestes instantes cada uma das suas penas com cores reluzia mesclando tudo à volta, pois sua áurea colorida transpunha alegria a quem ali estava.

Descobriu ele vários detalhes, ela muitas vezes silenciosa ficava olhando o horizonte, depois voava até o lago e lá esperava olhando o céu à chegada da constelação de Órion.

Um dia ele resolveu que a esperaria e uma poesia para ela declamaria, um poema seu para ela com todo o coração.

 

E assim ele fez, esperou sua volta do lago descobriu que vinha com lágrimas nas penas, chamou e pediu para ser acompanhado, ela sorriu e o seguiu. Quando lá chegou ele levou para seu jardim privado pela primeira vez mostrado para alguém. Ela se encantou abriu suas asas e em plenos círculos voou sorrindo e reluzindo em cada folha que passava, até que no chafariz pousou colorindo as águas de mil cores.

 

Ele então a chamou no banco do jardim se sentou e para ela declamou seu amor. O seu sentimento era tão puro e os versos tão verdadeiros que em cada palavra que de seus lábios saia, algo mudava... Então até que no final da última estrofe, de cisne nobre em uma dama ela tinha se transformado.

 

O sultão sem entender a magia que tentava compreender, nem ousava falar e a cisne se olhava e tudo voltava fazer parte da realidade.

Sorriu ela para o sultão e para os seus braços correu, beijando-lhe a face agradecia o milagre que ele havia conseguido.

Depois do susto, a fala do sultão voltou e lhe pediu uma explicação:

Então ela começou a revelar sua estória.

 

Ela vinha de um reino antigo, onde um feiticeiro tinha sua vida transformado, ao ver seu amor pelo rei do condado.

 Em cisnes foram os dois confinados e no lago aprisionado.

Mas suas vidas tão belas e cheia de amor continuaram até o feiticeiro descobrir e matar seu amado.

 Uma noite o feiticeiro a viu sozinha e foi então que um relâmpago agoniado da constelação do cisne escapou e com em sua vida de feiticeiro malvado deu um final.

 

A amar assim ela continuou dias e dias seu amado na constelação do céu formada pelas estrelas em cisne e ela no lago ao céu olhando e amando...

O seu amado para ela só bem queria. Se um dia alguém surgisse para fazê-la feliz ele através do relâmpago que conseguiu captar a magia do feiticeiro poderia transformar sua amada em mulher novamente. Enquanto ele continuaria seu eterno cisne a protegê-la lá do céu.

O sultão embevecido com sua estória a tomou nos braços e embalou, dizendo que ela seria para sempre sua rainha e sua amada viveriam felizes já que o destino e a constelação do Cisne novamente davam a oportunidade de uma nova estória continuar.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®


 

Lençóis da Noite

 


Lençóis da Noite

 

No abalaústre da noite a sombra beijou a lua em tom extravagante tingindo o céu de púrpura, era dia do Amor.

A lua surpreendeu-se assim que a sombra tocou seus lábios. A sombra arrojada deixou o seu sonho escorregar lentamente na extensão da língua quente de prata que o recebeu com intenso desejo, juntos mergulharam na saliva da insensatez do momento. O beijo cresceu nas altas horas dos mistérios. No noturnal a lua encabulada se tornou cheia e radiante.

A sombra aproveitou o momento, arrebatou lua para o calor do seu peito. Os amantes tingidos de paixão dançaram à música do fogo, sem perceber que a noite tecia um assoalho de veludo, para o Amor acontecer em um eclipse do perfeito momento.

A lua tecia movimentos para cativar os olhares da sombra. Nas mãos amantes a vida pulsava, nos toques de magnetismo, faíscas pedintes de mais e mais beijos para sonhar com os fogos de vaga-lumes.

Olharam a terra a baixo sentiram o perfume dos jardins, subiram mais na direção do infinito celestial para não serem vistos. Os segredos devem ser bem guardados e a sombra sabia como segurar a cintura da lua, escondendo sua saia de prata. Sacramentaram os sonhos trocados no dialeto particular da atração, fizeram juramentos juntos selando os corpos celestes, ambos sabiam como voar nas inúmeras constelações do lirismo.

Quando a madrugada foi descortinando na noite, a música espreguiçando no horizonte surgiu para alertar   os lençóis da tentação.

Os amantes se puseram em agitações deixando rastro de luz, fugindo desordenadamente.

A lua foi se esfumaçando nos flocos das nuvens e partindo.

As estrelas sorrindo se foram, ainda na penumbra da noite.  As estrelas descobriram o Amor na preguiça dos raios do sol que fora do horário apareceu fazendo algazarra, avisando as nuvens para resgatar a capa da sombra que esqueceu nos lençóis da noite.

E assim o universo do Amor do qual não se pode esconder segredos registrou no livro das fantasias, o encontro do sol se mascarando em sombra, só para encontrar a lua em um amor terno e delicado perdidamente apaixonado.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados® 


 


O Vento e a Cerejeira

 



 O Vento e a Cerejeira






A cerejeira sentiu aproximação suave de algo no ar. Sentiu que  a espreitava na espera do sol raiar, tentando ainda não se manifestar.
O tempo parecia parado nos primeiros minutos do dia que belamente nascia.
Olhou o céu e as nuvens se espreguiçando delicadamente a cerejeira. O tempo ali era desnecessário, o seu olhar voltou ao chão no campo verde do parque ansiava pela presença refrescante do seu passeio.
E assim a cerejeira se envolveu para esperar o seu sonho que não tardava a chegar. Ela sabia que o vento estava a segurar no máximo do seu limite para dançar com suas flores.
Em um toque inesperado ela o viu se aproximar, arrojado loucamente refrescante. O vento se enredou em seu corpo de flores os elevando ao ar na dança ancestral das floradas.
As lufadas eram fortes, mas o toque incrivelmente suave para não deixar nenhuma das suas pétalas caírem ao chão pois ainda não era tempo da renovação.
A manhã corria com suas horas, mas as flores da cerejeira bailavam nos braços do vento sem se importar com nada além dele e seus feitiços de abraços.
Enquanto ela deixava sua fragrância em suas ondas para ficar inesquecível pois assim o vento depois voltaria morrendo de saudades, como agora em sua coreografia matinal.
O vento sabia do seu feitiço, mas ela não sabia o quanto a sedução das suas flores o deixava a mercê deste amor inebriante .
O segredo com laços do amor os envolviam :a cerejeira não suportava sua ausência e o vento resistia em não partir. 
O Vento e a Cerejeira assim se envolveram em danças, fragrâncias das flores e as ondas refrescantes quando unidos um presente de aromas de Amor oferecido ao Universo.

Marli Franco 
Direitos Autorais Reservados® 




O Arrebol









 O Arrebol



O final da tarde bateu na janela, com o Mordomo do Tempo e uma solicitação da minha atenção, para observar o convidado que chegaria logo mais.
Quem seria o convidado? Na solicitação requeria minha atenção por um tempo pequeno, mas de intenso significado.

Entreguei ao Mordomo minha aceitação e curiosa corri para preparar os detalhes da espera. Afinal toda espera se acerca de infinitos detalhes.
Em primeiro abrir bem a janela olhando para o horizonte.

 Deixei meu gato Apolo dividir a poltrona comigo já que não foi falado, sobre estar acompanhada ou não.

No ar um aroma de lavanda se inteirou da situação e se misturou com a cena confortavelmente.

Com a janela tendo na tela o horizonte o meu ser se ajustou na delicadeza. E assim fui notando as mudanças que ocorriam paulatinamente no céu.

O Sol deslizava sutilmente atrás da cortina, me olhava sabendo que eu estava ligada na sua esfera.
O sol alaranjou mais... 
Eu até desequilibrei com as nuances que infiltravam na janela, caindo no meu colo despreocupadamente.

Logo depois o Sol também perdeu seu equilíbrio, caiu atrás da montanha e não voltou...
O relógio avisa, a chegada do vespertino, quando o sol se esconde e seus raios seguem para o outro lado da terra que é a hora do Convidado.

No inesperado do horizonte acontece o ocaso nas venturas da estrada.
No ato a surpresa é a dispersão da claridade o céu se tinge todo de azul mesclado com lilás.
O Mordomo tinha dado um aviso sucinto para ser cautelosa, já que o convidado era rápido e silente.

Olhei a janela sorrindo para o Convidado, com sua cor gradiente, que sem uma só palavra tingiu a cortina de azulado e meus cabelos de lilás. 
Um assombro, fiquei pronta para gritar de alegria, quando meu vestido se aquarelo em azul...
 As minhas mãos se perderam nas cores, no céu se mesclavam e ali se fundiram nos flocos dos meus sonhos.

Na estória então levantei a inspiração e incrivelmente toda a razão.

O Convidado era o Crepúsculo. 
O lusco-fusco veio banhar-me com uma pincelada da Arte Divina.

  O Crepúsculo me transportou para sentir a exuberância da natureza nos especiais minutos.

No final encantada ainda com o céu, o noturno me pegou em seus braços para sonhar, o vento minha janela fechou...

E o Apolo, nem acordou...


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



O Chão








O Chão

O Chão firme e estável, seguro e altamente sustentável olhava o azul acima com suas nuvens mudando lentamente suas nuances.

No azul o vento também brincava, com as nuvens movimentando seus flocos sem se importar com espaços ou tempos.
O Chão seguia olhando tudo, parado em todo teu vasto território, seguia só olhando os movimentos de tons que no céu se alternavam paulatinamente.

O tempo estava falando, bastava observar, o Chão sabia que algo estava por vir...Não havia dúvida sua longa existência já acumulavam experiências, ela estava para chegar e ele tinha certeza de como seria sua aparição.

O tempo de espera tinha já se alongado de mais, ele sentia saudades do seu frescor, das suas límpidas faces escorregando em seu corpo.

A espera tornava mais pungente o desejo do regresso, palpitava o coração do chão seco e indomável   fazia já tanto tempo...

No momento seu olhar voltou para o azul e ao navegar com suas lembranças, havia esquecido de olhar e gravar os detalhes da chegada da amada. O seu vestido seria longo, tanto quanto o tempo da sua ausência, ele esperava que a estadia em seu corpo não fosse breve para regozijar longas lembranças no futuro.

Ao som de um raio que o mundo estremece o céu já não era mais azul e o vento moveu tudo para o acinzentado ela estava chegando... A sua espera dava para sentir no suspirar da terra, nas aves procurando os ninhos, nas árvores com suas folhas fazendo danças e algazarras com o vento, ela estava chegando...
O Chão olhou mais uma vez para o céu com seus olhos âmbar, extasiou-se, pois neste exato momento ela surgiu transparente ...

Ela finalmente apareceu.
Reluzindo nos últimos raios de luz, veio caindo mansamente como um beijo suave experimentando sentimentos, saboreando a descida. Com olhar instigante fixava   seus olhos no chão, sem desvio mostrando que não ia parar tinha chegado para amar e fertilizar a vida.

O chão não respirou, parou deslumbrado com o vestido translucido de águas claras que foram aventurando e se desnudando sobre seu peito, tornando-o cativo. E assim ela foi inundada com suas águas, fazendo seu território vasto ficar todo vivo, pulsante inebriado, bêbado da pureza que dela devastava suas entranhas.

Na vida o chão era sempre firme e seguro, mas quando ela chegava suas máximas ficavam sendo macio e friável, o amor fazia isso antes de fertilizar o tornava vulnerável, entregue aos caprichos indomáveis que ela assim vinha para recriar.

O tempo se fez belo em toda sua natureza, o chão se entregou amante em todo seu esplendor, se expôs sem limites para ela a bela, a Chuva, que hidrata alma de   todo planeta.


No final a chuva passou deixando seu perfume no chão, no ar o frescor da vida até um próximo tempo suas lembranças ficam desabrochando no planeta.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


O Pôr do Sol







O Pôr do Sol

O sol apontava a hora com um brilho especial! 
Um ar maroto, um jeito daqueles que a câmera sabe bem o que ele pede.
Sem pudor traindo a lua no meio da rua bem a vista de todo complexo da cidade no horário que antecede o rush.
 Nem vou falar, mas ele sabe que ninguém estava olhando 
o céu naquele horário. 
Que ledo engano meu dourado amigo.
 Ela sem te olhar ainda estava te observando, na espreita ali na calçada.

A câmera nem acreditava que novamente estava naquela tarde na rua,
 voltando com aquele céu azul demais,
 branca as nuvens rodeando. 
Parecia que esperando um belo ritual. 
O dia estava delicioso, quente, a cidade com seu ruído costumeiro.
 E ela ali no meio da vida agitada, deliciosamente viva,
 borbulhando feito champanhe na taça...

 Algo mais ainda viria às 17h30min abrindo um momento inusitado,
 mais belo pela segunda vez inesquecível... 
O Pôr do Sol na efusiva metrópole.
A câmera se agitou, sua dona estava ligada no céu mal começou a caminhada
 e quando ela deu uma paradinha para tirá-la da bolsa foi um delírio!
Em poucos movimentos a lente se abriu e lá estava ele dourando magnificamente!
Ouro puro!
Belo impressionante o clique!  
Foi rápido, medo de perder... 
Outro pôr do sol capturado, preso na câmera
 para ser visto mais vezes feito uma música repetindo indefinidamente.
Mas o melhor estava ainda por vir, a minha dona viu o ar maroto dele
 e eu não fui pra dentro da bolsa depois de um clic, não tinha mais e mais...

No meio dos prédios a brincadeira começou ele foi dourando cada vez mais e as nuvens que se aproximavam alaranjando...
 Minha dona não acreditava no que via o azul parecia se bronzear em tom de cenoura, palavras não descreviam e ai começou a grande brincadeira...
Na rua foi seguindo, o sol se escondendo atrás dos prédios, ela buscando...
 O sol, ele aparecia e sumia. 
A captura da imagem foi impossível os fios atrapalhavam e ela parou. ...

Ele estranhou a ousadia do que viria, ela não estava de brincadeira
 e eu queria capturar a magnificência.
Então aconteceu o sol subiu mais no céu, ela subiu no degrau da rua. 
Ele tão abusado só com uma parte ficou investigando quase rindo,
 daquele lugar ela não daria o clique. 
Enganou-se o dourado ela dançou no degrau a cidade não se importou
 estavam acostumados com excentricidades, mas ele ficou seduzido
 e saiu de traz do prédio totalmente alaranjando...
 O sol feito rapaz apaixonado e então aconteceu...

O pôr do sol no grande momento e o clique foi estupendo!
Bem o rapaz ficou bravo, por ser pego sem pudores e seduzido pela dança em um degrau. 
O rei admitiu namorou o esconde-esconde brilhou mais 
e se agitou com o coração dela pedindo para aparecer,
 não era de ferro se entregou e esperta a câmera o capturou...

O Rei Sol se foi, sabendo como toda aurora a câmera vai voltar...
Ainda bem que a lua não viu a rua, a dança e coração daquela câmera.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



O Sol , a Lua e o Poeta

O Sol, a Lua e o Poeta

Na magia do universo brincam as estrelas e os astros, levitam em amores como os humanos aqui na terra, fazendo a mesma coisa feito reflexo de um espelho.
Uma vez ou outra, a magia que voa lá no veludo no céu, acaba caindo aqui na terra feito inspiração.
O sol nutre um amor infinito pela lua lá no céu, estão juntos e não estão... Se é dia sonham com a noite, se é noite sonham um dia se ver.O sol vive desejoso de falar para sua amada deste amor infinito,expressar em viva voz seus desejos de Amor.
O sol olhando a terra de lá de cima observou que havia um jeito de levar seus recados para sua amada. Descobriu que a Terra abrigava um ser chamado Poeta que decantava tudo que via e esbanjava palavras com som de melodia era perfeito para cantar para sua amada.
A necessidade fez a festa... O sol mais que depressa, sem pensar muito mandou seus raios aquecer a alma do Poeta com todo seu Amor para sua amada Lua.
O Poeta anda na terra com passos curtos e o coração aos saltos na busca da criação. O Poeta sentindo o calor do Amor invadir seus sentidos, percebendo que vinha algo diferente pulsando em suas veias rodou o dia esfomeado de palavras, desejoso de rimas, buscando vírgulas e pontos que quando a noite chegou estava embriagado de Amor. Ao olhar o céu deparou-se com a Lua e então tudo aconteceu... Declamou versos e mais versos para a Lua , fez dela sua amada musa preferida e única .
E assim desde então o sol de dia lança seu calor inspirativo no coração do Poeta que de noite embriagado de amor faz Poesia para Lua em pleno esplendor.
O Poeta desde então acredita que pela Lua se apaixonou e olha o sol pensando no ciúme que com certeza provocou...
Quanto à lua passeia no céu deslizando em beleza ao olhar o Amor do Sol declamado pelo Poeta, sorri prateada desejando se partir em beijos ensolarados ao carteiro.
O sol brilha de alegria, pois sua amada soube lhe ouvir e o Poeta... Ah !O Poeta foi sutilmente iludido pensa que ama, mas na verdade só declama.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



Conto * O Olhar e a Sala-- -Capítulo IX - Veredicto Final


O Olhar e a Sala

Capítulo IX - Veredicto Final

 

A sala foi surpreendida em uma manhã ensolarada daquelas que o vento chega fazendo festa nas rodas da cortina, algo prometia logo mais, com certeza...

Era o Invasor apressando o passo no corredor e entrando na sala agitado com seu laptop escorregando sobre a mesa, sua pasta e seus muitos papéis de catedrático.

O peito arfava com algo em seu íntimo que acusava alguma decisão estava acertada. Ajeitou a cadeira, foi até a janela só para se acalmar, pois seu interior explodia...Ela a Íris o tinha levado à loucura com sua ausência proposital, com seus passos leves voltando no corredor; com suas indecisões cada vez mais temerosas, fazendo –o voltar às viagens coberto com o manto que ela usava de dúvidas; fazendo-o perder o gosto pela aventura, já que seu pensamento parecia colado ao seu nome.

Mas agora o limite tinha chegado...A decisão estava tomada e não era mais dela era só dele. tempo havia determinado o desfecho que ele queria, tinha sido seu copiloto nas artimanhas da vida.

Era só aguardar a chegada da Íris, pois ela viria, sentia dentro de si sua aproximação e tudo seria cobrado com juros acumulados, nesta ausência que o deixara com os nervos à flor da pele, a saudade queimando dentro de si e seu coração se rendendo em todas as lembranças dos encantos de um beijo, tudo seria cobrado sem piedade...

A sala tudo observava, sentia na mesa a fúria no teclado se agitando sob os dedos do Invasor, a prosa pulsava em sua mão e tomava vida no texto que assumia todas as linhas da estória e a poesia...

Ah! A poesia se aproximava no corredor com a suavidade e a temeridade de quem sabe que será subjugada, que antes de ser escutada o Invasor já falaria seu veredicto no desfecho desta estória de apenas nove capítulos.

E foi com este passo que a Íris abriu a porta fazendo o Invasor ficar surpreendido apenas em um minuto, com sua imagem e seu olhar de tom mais acentuado como as águas de um rio que cobria os do Invasor, tão negros como a noite, tão intensos como os seus mistérios.

Um segundo apenas bastou para a Íris sentir-se puxada em um abraço inesperado, que em seguida sem uma única palavra foi raptada por um beijo intenso sem meios ensaios, um beijo que trazia toda volúpia que a emoção consegue arremessar os amantes em uma entrega total e sem volta...

Não havia mais nada a fazer, só se render ao Invasor nesta ânsia e neste desejo abrasador que lhe consumia o ar, não havia mais volta, a entrega era total seus braços entrelaçados em abraços apertavam-se concordando com todos os sonhos mais loucos, tornando realidade todas as esperanças, mostrando que não haveria mais esperas. A decisão era esta, o jogo terminara sem vencedores apenas com a rendição da paixão de ambos e foi neste clima que uma única frase foi emitida, apenas para respirar o auge da posse. Quando o Invasor sussurra:

--Poesia, você é e será, sempre minha...

Então a Íris busca os seus lábios para jogar beijos de aceitação onde deposita os encantos das suas estrofes sob os lábios em Prosa do Invasor.

E assim silencia o vento nas rodas da cortina, aquece o sol pela fresta a sala, enquanto a Prosa e o Poema se amam intensamente nos quadrantes do tapete, sob o olhar cúmplice da arca que sorrindo sabe mais uma estória de amor seria fechada e guardada em suas gavetas no meio dos guardanapos de branco linho.

A Íris e o Invasor se transformam em Prosa e Poema e caminham sem pressa nos laços de abraços na mesma inspiração que só uma paixão tem o dom de criar e na escrita perpetuar.

Se o Invasor no início dos capítulos era amante da prosa hoje tem como melodia som da poesia e se a Íris era apenas versos hoje possui descontraída nas mãos as linhas da prosa para navegar além das estrofes.



Invade a prosa no poema

Sem aviso penetra nos versos

Faz acordes de rimas esquecidas

Tece abraços nas janelas dos parágrafos

 

Entrega-se o texto nas reticências...

Apaixona-se pelo encanto nas entrelinhas

Nas paralelas da liberdade esconde a métrica

Mas não perde a melodia de amar a poesia.



Sem perceber ambos se completam

Nas mesmas linhas, nos mesmos parágrafos.

Juntos possuem os mesmos pontos

Em seus corpos os mesmos sonhos.



Então se encerra uma só conclusão

Na arte da escrita a estrada se veste

Ora de prosa ora de poesia para expandir

A inspiração na arte do amor na criação. 

Fim 

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®