"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


©Marli Franco. Todos os direitos estão reservados. All rights reserved. DO NOT COPY.

No Beiral Azulado

 


 No Beiral Azulado

Acervo Recanto das Letras 2009


Sem tua licença e bem de surpresa...

 

Vou te cobrar com um beijo matinal

O teu roubo que me fez sorrir sem igual.

Em alegria expandir o corpo em sensação,

Nos labirintos floridos do meu coração .

Perdendo a noção da costumeira sensatez,

Com este sol tocando a minha palidez.

 

Sem tua licença e bem de surpresa...

  

Vou ser tentação de cobrar bem traquina,

Quando teu olhar vagar na campina.

Tocar meus lábios nos teus de jasmim,

Com a profundidade da ventania sem fim.

E sumir em seguida levando tua alquimia,

Sentindo o palpitar do teu coração em extasia.

  

Sem tua licença e bem de surpresa...

 

O meu corpo ficou na medida ondulando

E a tua métrica perfeita escorregando,

Na minha cintura com tua rima em sintonia

Lembrando que a vida é pura alegria.

Quando um céu claro me observa te beijar,

No beiral azulado de uma estrofe a extasiar.

 

Sem tua licença e bem de surpresa...

 

Eu vou vestir-me tal qual uma pitonisa,

Na minha sutileza de branca brisa.

E vespertina virei girar a saia da ilusão

No teu olhar perdido na emoção.

Sem pensar assim celebro o teu terceto

E roubo teu beijo na cena do teu soneto.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®



Colunas Poéticas



Colunas Poéticas


A tentativa de criar um soneto é um momento de pura ousadia, é sorrir instigada pela conquista enamorada do ar rarefeito em poesia. 
A imersão na arte desta inspiração é como tomar uma bebida em um cálice do mais fino cristal, onde o paladar é de vinho por pura excelência apurado.
 
Os dedos precisam ser leves como a pena de um rouxinol que embriagados no canto da ave, em gorjeios matinais, despertam assim os momentos plasmáticos do amor. 
Os olhos precisam ter a luz plácida como as águas de um lago das terras altas, com o brilho do momento de um crepúsculo no tom perfeito, como se estivessem a serviço de olhar apenas o céu interno no azul do intelecto, dando a sustentação apenas do momento. 
Os lábios precisam estar úmidos com o néctar dos deuses para balbuciar rimas que suspiram o êxtase, tocando com a língua soluços de sonhos de um romance em segredo. 

O coração precisa pulsar em harmonia como o silencio em um campo de trigais, captando os perfumes que chegam dos recônditos cantos do âmago e exalando aromas de fronteiras esquecidas, presentes ou até mesmo futuras, pois nas estrofes a temporalidade é magia nas mãos do Poeta. 

A mente tem que transportar ao Olímpio, pois a alma logo no título escapa desgovernada nos campos dos quartetos e tercetos marcados em doces baladas fazendo o corpo estremecer em ondas de puro prazer. É como dançar no templo de Atenas nos braços de Apolo, ouvindo Zeus dar o tom perfeito de uma harpa bem no momento que a Lua no céu sorri conquistando Eros com o amor de um verso. 
O som da lira cai assim como estrelas da madrugada em gotas de sustenidos de um sentimento único e purificado fazendo a consagração, no último terceto de tal forma que tudo se reverta em luz de uma única estrela. 

Inspirar um soneto é como atingir a ala nobre de um palácio que ultrapassou o tempo na história, levando para a torre a liberdade intrínseca do ser em colisão com as regras implacáveis da majestosa arte e vencer a guerra das colunas poéticas sagradas da alma venerando a arte maior...O Soneto . 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®



Nas Luas de Verão.

 






Nas Luas  de Verão.

 

Estou presa nas linhas das tuas mãos

Na pausa das notas dos teus dedos

Flutuante  nas paredes da tua voz

Aquecida nas tuas leituras

Protegida  no teu olhar

Tremula na boca  despudorada

Sem fronteiras das sílabas

O corpo de palavras em sinfonia

Impecável, devotado ao amor...

Estou   da cor do luar.

Imaginando consoantes na paixão

Nos  cabelos as vogais dos dedos

O perfume um rastro no crepúsculo

 Caindo como chuvas de estrelas

Vertente  das  confidências.

Um vértice do equilíbrio lunar

Despeja no cálice a bebida

Um  sabor  carmim nas frases

Concretiza as linhas  da imaginação

Quando me deito  na borda dos  teus lábios

Beijando o idioma do  teu coração.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®

 


 


Olhei-te Amor!



Olhei-te Amor!

 

Olhei-te em uma duna distante

Além da quietude relutante

A poeira se movendo clareia

Um verso naufrago na areia.



Olhei-te onde o sonho se inicia

Na boca do sol apaixonado sacia

Até o findar do dia flagrante

Um verso, no deserto aspirante.



Olhei-te ao chegar à noite prateada

As mãos azuis com estrelas volteada

A tempestade do verso, gera o amor

Do olhar na areia é grito de clamor.



No final continuei a olhar-te...

Deslumbrada com a iluminação

No verso que personifica a emoção

Um sonho da madrugada que agita

O amor na areia, um poema se edita.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®





 

O Galho e a Água

 



O Galho e  a Água

Se fosse possível

Olhar a pedra coberta de musgo

Se fosse possível

Entender o passeio da água

No leito das pedras verdes.

 

Se fosse possível

Olhar a água sem ver a hora

 O seu deslizar no galho

Seguindo o movimento

 Sem perturbá-lo ou se perturbar.

 

Se assim fosse possível

Ser água e não galho

Que apenas vai fluindo

 Independente do caminho

No movimento se adaptando...


Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®