"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


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Margem


Margem


Ando em um chão que não mais conheço as linhas, parece que os desenhos foram modificados .
As alamedas estão floridas, mas as flores possuem cores diversificadas, meu olhar já não entende os tons tão mesclas
que escorrem   e se  aquarela .
As frondosas árvores estão belas, mas seus galhos tão diferentes perderam a clareza de como  se balançam ao vento, perdi a sua linguagem.
No entanto as estradas que vejo contornando a montanha são claras e o rio que vejo ao longe seus murmúrios tão bem os entendo. E quando o vento passa em suas águas sei soletrar verso após verso.
Ando ficando cada vez mais nas margens, caminhando cada vez mais nas margens, delas olho o céu acompanhando as nuvens.
Nas margens sei conjugar os verbos todos, lá o tempo é previsível e o azul esta no alto, o verde simplesmente aqui em baixo.
Nas margens eu estou complacente comigo mesma. Com a natureza da minha alma e com a calma que me alastra na mesma correnteza do rio. No rio lá depois da montanha.
A noite já caiu muito, preciso guardar a poesia, quem sabe outro dia voltar ir em frente, além da montanha e lá do rio, quem sabe...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®





A voz do Piano





"O piano alastra na minha alma
Como sementes sendo plantadas
As mãos vagando em sustenido
Soltas perturbam o meu sentido."
Marli Franco
 

A Voz do Piano  

O teu piano em duelos singelos

Alivia os meus intensos pesadelos

Com tuas mãos caminhas faminto

Quimeras escondidas em labirinto.

 

Não tenho como ver a ilusão voar

Feito nuvem só estou a te escutar

A música algema como escravidão

Magenta lembrança na inspiração.

 

Escuto o teu encanto de soprano

Da tua alma em mim navegando

O silencio em nós, a voz é o piano.

 

O solo liberta a alma no clamor

A luz vem no tempo enamorando

Na partitura o convite ao amor.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®
 


Nostalgia





Nostalgia 

Olhei tua sombra na janela inatingível
Vi o rastro iluminando quase tangível
No carvalho me apoiei para te admirar
Vendo o teu verbo apaixonado  desfilar.

Deixei a noite  em meadas de azul   me engolir
A lua me pratear com sua essência  fluir
Sentindo na alma  a voz aprofundar
E a tua sombra  perambulando além-mar.

Sussurrei nas costas do carvalho um verso
Segredos  das raízes soltas pelo universo
Mistério gravado das folhas no meu rosto
Na janela  o verbo  não mais exposto.

  
Desfiz da noite  no silencio  do  amanhecer
Já estava em clorofila olhando aurora nascer.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®




O Verso

 
O Verso
 
O verso me eleva,
Candeia , volteia, navega...
A alma desliza silenciosa
As mãos buscam seu papel saudosa
 As linhas chamam as sílabas ,esmerila...
O meu ser olhando estrelas cintila
Vendo a noite escorregar na calma eleita.
A lua vai se arredondando tão perfeita
Enciumando a terra em  seu recanto
As rimas da noite floreando encantos.
Em mim a Poesia buscando seu canto.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
 
 
 
 


Voz dos Versos




Voz dos Versos

A paixão nos seduz feito erupção
Nos envolve num sonho abrasado
Ligados cada vez mais até a explosão
Na voz dos versos, somos arrebatados.

Somos estrelas transluzindo em céu azulão
Na verdade são nossas mãos em diadema
Alimentando e cintilando nossa inspiração
No vulcão para sermos o magma de poemas.

Somos dois insensatos, no alumbramento.
Ambos mergulhados no encantamento
Nas lavras que criamos em nosso coração.

Não mudamos, amamos a voz do sentimento.
Somos paixão incandescente, firmamento,
Somos desejos, eu e você num verso de ilusão.
 
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

 




Luz do Condão


Luz do Condão
Assusta-me a cor dos sonhos feito um clarão
A música nas rondas trazendo a luz do condão
Lembram a natureza de ontem som luxuriante
O desejo clandestino vagando feito viajante.
 
Os teus desejos deixando sinais no etéreo
Reconheço tão claramente me inebriam na noite
Envergo-me no tempo negando vou te olhando
Os beijos do silencio na palavra da minha lavra.
 
 
Observo os sinais que aparecem e somem no ar
Como as estrofes quando escapam das mãos
Mas continuam falando nitidamente no coração.
 
Um resplandecer da alma suspensa a vagar
Um céu de finitudes nas asas da emoção
As armadilhas do insensato momento da ilusão.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®