"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


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Se eu pudesse falar...




Se eu pudesse falar... 


Se eu pudesse falar... 

Que os verbos sussurram nostalgias 

No estremecer das noites orvalhadas 

Respirações ofegantes de silêncios 

Suplicas de leituras embriagadas. 



Se eu pudesse falar... 

Que as mãos são linhas secretas 

No reino das estrelas a voz silábica 

Enluaradas no feitiço da madrugada 

Inspira beijos noturnais na boca dos poemas. 



Se eu pudesse falar... 

Perdida a saudade ainda é presença 

Descortina como a aurora nas páginas 

Liberta a alma no suspiro da inspiração 

Para saciar mais uma vez com a palavra 

O desejo assumido no avesso de um olhar. 



Se eu pudesse falar... 

Da voz prometida no entardecer da poesia.



Marli Franco 
Direitos Autorais Reservados®



Rendição no Arrebol






Rendição no Arrebol


No luar os lances de xadrez voam na tua escrita

Nas leituras perfeitas no registro das diagonais

Os perfumes inesquecíveis das folhas que reeditas

A arte nas aberturas do jogo, sutilezas sazonais.



No drama a criação do livro satisfaz e encanta

As afirmações do vulcão clamam nos segredos

Na cabeceira a página no silêncio abrilhanta

O xadrez foi consagrado em poema e fez enredos.



No teu jogo de páginas minha defesa capturaste

És rei ataca com a estratégia vence o adversário

A lógica move-se ardente nos beijos do oponente

No tabuleiro fascina a cena no paraíso literário.



O xeque-mate se fez claro como canto do rouxinol

No ataque final o teu nome se revela com altivez

Na última página a rendição perene no arrebol

Romance publicado, assinado no clube do xadrez.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



O Cabaré

 


O Cabaré


Um desejo nasceu na supra elegância, adentrou em um cabaré das ilusões, nas rondas de uma noite de lua pagã.

Na porta a elegância deixou os anéis do pensamento, se concentrou em ficar com um véu estampado nas doses da sensualidade. Seguiu assim o protocolo atento do luar.

Ao entrar no interior do cabaré olhares perdiam-se na sinuosidade da elegância. No suspiro de um olhar o lobo, sem meias intenções agarrou o requinte sensual. E com um beijo inconfundível aterrissou na posse da alma absoluta da impecabilidade.

No cabaré o tempo não cessa, a elegância qual um vestido sutil para a luxúria colou-se ao corpo do lobo. O olhar era dono de um peito nu de palavras.

Em um espaço íntimo onde só existe as paredes os dois mergulharam em um mundo de segredos. Um corpo sem camisa com as gotas de suor deslizou deselegantemente nas barras da sedução, rumo ao êxtase onde o amor extravasa no clássico consentimento da paixão.

No final o lobo com sua camisa, veste a elegância em perfeita harmonia e cobre os seus lábios com um beijo de puro capricho.

 

Uma só prosa basta para retratar o roteiro do cabaré.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


Ao Amor da minha Saudade









Carta

"Ao Amor da minha Saudade"

Ao som de uma flauta uma carta   escapa da alma. Com endereço certo segue no correio direto para o infinito céu, nas alamedas das nuvens onde mora o meu Amor.

Investiguei os horizontes do meu querer para colocar a caligrafia transparente no papel vergel. No final  o lacre seria com as flores da cerejeira,  lá das terras distantes onde juntos caminhamos.

A flauta desliza com seu som percorrendo as lembranças suavemente no papel.
Nas folhas da carta o meu estilo é límpido tal qual teus olhos quando me despiam nas linhas dos lençóis.

Na escrita transmuto-me recordando a aventura dos nossos beijos e os suplicantes desejos quando o relógio da aurora alertava o canto dos pássaros.
E na fascinação do romance na luz do luar, onde de mãos dadas escrevemos no azul noturno a missiva do enlace, para recordar na eternidade.
Nos dias invernais ainda admiro a aurora e o poema do luar, lembro de ti assim acariciando e acolhendo nossas estórias em um beijo inolvidável.

A flauta atualiza o presente expondo-me na introspecção do inverno.
Na janela da resignação observo as gotas da chuva caindo levemente nas folhas do manacá; delicada para sucumbir nas flores brancas da última florada, o sutil perfume...
Assim como uma chuva de inverno eu vou reverenciando em gratuidade ao universo este sublime sentimento.

A flauta segue criando ondas para se unir na mesma cadência das gotas da chuva, deixando o espaço embevecido com suas notas.
As chuvas viajando no ar embebendo a terra.
E eu alongando pensamentos no meu intimo absorto em todo este Amor.

E assim como uma flauta me entrego nas letras do passado deste Amor, já tão versejado sem perder-se no tempo apenas extasiando-se a recordar os dias dourados.
O som vai finalizando e observando-me  noto o quanto foi rica a experiência  de viver a paixão e  sentir a trajetória deste excelso Amor.
Hoje com um novo nome Saudade... 
Carta ao meu esposo
Dirceu Augusto.
O primeiro e único,
Amor da minha vida.
O Amor da minha saudade.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


Haikai --O Sol







O Sol 


Caiu o sol no rio 

Tingiu água e o azul fugiu 

É extraordinário. 

Marli Franco 

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O Beijo da Dança







O  Beijo da Dança


Quando nossos olhares estão em festa
A música inspira, o corpo se manifesta
No prelúdio em ardor nos abraçamos
E juntos sorrindo apenas sintonizamos.


O som ondulando delicado se prepara
Na ponta dos pés a coreografia se ampara
Nos adágios criados o fascínio da sensação
O desejo leva os corpos deslizarem no chão.


Nos acordes ventanias de preguiça
Passos vigorosos movemos na premissa
Nas ondas confabulamos e nos bailamos
Assim na partitura sorrimos e encantamos.


A   música foi mistério no ar fluindo
Nós dois de mãos dadas ondulando
Força e movimento sincronia reclinamos
A paixão que arde envolve e plainamos.


Os giros e saltos fascinam nos enredam
Cativa em teus braços que me seguram
Meu corpo colado em ti se molda, exijo
A trégua do movimento, volteio ao beijo.


No movimento somos ventanias
A dança nos une em corpos iguais
No amor a dança é a alma luzindo
Exaustos deitamos na melodia sorrindo.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®






Haikai --- Silêncio









Silêncio 


Puro silêncio 
Riqueza da natureza 
A vós presencio. 


Marli Franco 
Direitos Autorais Reservados®




O Arrebol









 O Arrebol



O final da tarde bateu na janela, com o Mordomo do Tempo e uma solicitação da minha atenção, para observar o convidado que chegaria logo mais.
Quem seria o convidado? Na solicitação requeria minha atenção por um tempo pequeno, mas de intenso significado.

Entreguei ao Mordomo minha aceitação e curiosa corri para preparar os detalhes da espera. Afinal toda espera se acerca de infinitos detalhes.
Em primeiro abrir bem a janela olhando para o horizonte.

 Deixei meu gato Apolo dividir a poltrona comigo já que não foi falado, sobre estar acompanhada ou não.

No ar um aroma de lavanda se inteirou da situação e se misturou com a cena confortavelmente.

Com a janela tendo na tela o horizonte o meu ser se ajustou na delicadeza. E assim fui notando as mudanças que ocorriam paulatinamente no céu.

O Sol deslizava sutilmente atrás da cortina, me olhava sabendo que eu estava ligada na sua esfera.
O sol alaranjou mais... 
Eu até desequilibrei com as nuances que infiltravam na janela, caindo no meu colo despreocupadamente.

Logo depois o Sol também perdeu seu equilíbrio, caiu atrás da montanha e não voltou...
O relógio avisa, a chegada do vespertino, quando o sol se esconde e seus raios seguem para o outro lado da terra que é a hora do Convidado.

No inesperado do horizonte acontece o ocaso nas venturas da estrada.
No ato a surpresa é a dispersão da claridade o céu se tinge todo de azul mesclado com lilás.
O Mordomo tinha dado um aviso sucinto para ser cautelosa, já que o convidado era rápido e silente.

Olhei a janela sorrindo para o Convidado, com sua cor gradiente, que sem uma só palavra tingiu a cortina de azulado e meus cabelos de lilás. 
Um assombro, fiquei pronta para gritar de alegria, quando meu vestido se aquarelo em azul...
 As minhas mãos se perderam nas cores, no céu se mesclavam e ali se fundiram nos flocos dos meus sonhos.

Na estória então levantei a inspiração e incrivelmente toda a razão.

O Convidado era o Crepúsculo. 
O lusco-fusco veio banhar-me com uma pincelada da Arte Divina.

  O Crepúsculo me transportou para sentir a exuberância da natureza nos especiais minutos.

No final encantada ainda com o céu, o noturno me pegou em seus braços para sonhar, o vento minha janela fechou...

E o Apolo, nem acordou...


Marli Franco
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Haikai - Flor da Macieira







Flor da Macieira


Zeus casa com Hera.

Saúde e felicidade,

Gaia dá a macieira.




Marli Franco

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Ao “Soneto de Arvers”








Ao

“Soneto de Arvers”


Verso inefável

Saudade é faculdade

Incontestável.



Marli Franco

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Referência 


( O “Soneto de Arvers” foi escrito em 1831 e publicado em 1833 e traduzido milhares de vezes para os mais diversos idiomas, inclusive para o Esperanto. Inspirou livros e peças de teatro, que usaram o soneto como tema. É considerado o mais belo soneto do século XIX.)



A Neve








A Neve

Na neve a bússola move o arrebol
O silencio é o palco no reino do sol
A voz da brisa no cenário é serena
A ilustração da resiliência encena.


Na neve tem estórias e passageiros
As longas estórias congelam o luzeiro
As curtas frases a roda dos ventos gira
Os ouvintes olham a janela e suspira.


Na temporada gélida a voz fica sem regalia
A experiência é o docente a luz a sabedoria
A estação assim surge, tão inesperada...


O inverno com os seus cabelos translúcidos
Brancos cristalinos, nos longos sentidos
O estilo muda a vida, simples e sagrada ...

Marli Franco
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Murilo Mendes - - Grande Mestre









  Murilo Monteiro Mendes











Murilo Monteiro Mendes






foi um poeta e prosador brasileiro, 


expoente do surrealismo


na literatura brasileira. 



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Da Série -- Surreal * I








Surreal * I

Joguei um cheiro nas flores secas,

Insultadas as pétalas viraram avencas.

O vaso se arrepiou,

E mais calado ficou.

Enquanto as rosas gargalhavam,

Os perfumes de lavanda exalavam,

Com os pingos da felicidade.



Marli Franco
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O Chão








O Chão

O Chão firme e estável, seguro e altamente sustentável olhava o azul acima com suas nuvens mudando lentamente suas nuances.

No azul o vento também brincava, com as nuvens movimentando seus flocos sem se importar com espaços ou tempos.
O Chão seguia olhando tudo, parado em todo teu vasto território, seguia só olhando os movimentos de tons que no céu se alternavam paulatinamente.

O tempo estava falando, bastava observar, o Chão sabia que algo estava por vir...Não havia dúvida sua longa existência já acumulavam experiências, ela estava para chegar e ele tinha certeza de como seria sua aparição.

O tempo de espera tinha já se alongado de mais, ele sentia saudades do seu frescor, das suas límpidas faces escorregando em seu corpo.

A espera tornava mais pungente o desejo do regresso, palpitava o coração do chão seco e indomável   fazia já tanto tempo...

No momento seu olhar voltou para o azul e ao navegar com suas lembranças, havia esquecido de olhar e gravar os detalhes da chegada da amada. O seu vestido seria longo, tanto quanto o tempo da sua ausência, ele esperava que a estadia em seu corpo não fosse breve para regozijar longas lembranças no futuro.

Ao som de um raio que o mundo estremece o céu já não era mais azul e o vento moveu tudo para o acinzentado ela estava chegando... A sua espera dava para sentir no suspirar da terra, nas aves procurando os ninhos, nas árvores com suas folhas fazendo danças e algazarras com o vento, ela estava chegando...
O Chão olhou mais uma vez para o céu com seus olhos âmbar, extasiou-se, pois neste exato momento ela surgiu transparente ...

Ela finalmente apareceu.
Reluzindo nos últimos raios de luz, veio caindo mansamente como um beijo suave experimentando sentimentos, saboreando a descida. Com olhar instigante fixava   seus olhos no chão, sem desvio mostrando que não ia parar tinha chegado para amar e fertilizar a vida.

O chão não respirou, parou deslumbrado com o vestido translucido de águas claras que foram aventurando e se desnudando sobre seu peito, tornando-o cativo. E assim ela foi inundada com suas águas, fazendo seu território vasto ficar todo vivo, pulsante inebriado, bêbado da pureza que dela devastava suas entranhas.

Na vida o chão era sempre firme e seguro, mas quando ela chegava suas máximas ficavam sendo macio e friável, o amor fazia isso antes de fertilizar o tornava vulnerável, entregue aos caprichos indomáveis que ela assim vinha para recriar.

O tempo se fez belo em toda sua natureza, o chão se entregou amante em todo seu esplendor, se expôs sem limites para ela a bela, a Chuva, que hidrata alma de   todo planeta.


No final a chuva passou deixando seu perfume no chão, no ar o frescor da vida até um próximo tempo suas lembranças ficam desabrochando no planeta.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


Haikai no Folclore - Yara





Haikai no Folclore


Yara


A indígena Yara

Da região amazônica

 Mãe d´água, “luara”.





Cabelo preto, ela

 Com seus olhos castanhos

A invejável bela.




A sereia atiça

Os peixes salvam Yara

   Canto feitiça.



Marli Franco

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