Haikai em Especiarias
Coentro
Longa história
Saladas e cozidos
Vem lá do Egito.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
*O coentro tem uso culinário e medicinal.
"A estesia onde a palavra floresce na vertente livre e lírica."
"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."
Marli Franco
Haikai em Especiarias
Coentro
Longa história
Saladas e cozidos
Vem lá do Egito.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
*O coentro tem uso culinário e medicinal.
Dança
ao Luar
Danço ao te olhar no fundo da tua alma
Com o fascínio dos sentidos no teu olhar
O crepúsculo em parceria com um beijo
E o meu corpo se preparando para girar
Nas tuas mãos que vem me acompanhar.
Danço quando o tudo vier a nascer
Tal e qual um jardim a florescer
Um complexo místico do teu desejo.
Exalando no ar o sutil perfume
Da rosa, das sílabas da tua boca.
Danço quando o som do violino surgir
A saia a te provocar sem pensar
Leve girando coloridos tecidos no ar
Enquanto tuas mãos de dançarino
Preparam-se para me aprisionar.
Danço quando os acordes falarem
Os nossos pés nos mesmos compassos
O leque das mãos no cetim da tua camisa
Mistério meu e teu no mesmo sorriso
E assim agitando os nossos movimentos.
Danço em um interlúdio das estrelas
Aos significados dos quatro elementos
Um fetiche em plena cena com o pudor
Surgindo assim leve e livre para brindar
Início de agosto em pleno luar.
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
Dança
Cigana
Juro que vestirei a longa saia rodada
Colocarei pulseiras douradas
Colares de festa e blusa de seda
Dançarei sonhos noite a fora em volta do fogo...
Juro que serei apenas uma dançarina
Com uma flor sagrada nos cabelos
E o profano incendiando
O corpo com giros de desejos...
Juro que te darei a sedução em um xale
Transparente caindo na minha cintura
Deslizando pontas de movimentos
Conforme a música de um violão
Surgir na calada da tua imaginação...
Juro que trarei um pandeiro com fitas
Com tua inscrição colorida
Bailarei só pra teu olhar
Quando meu leque movimentar
No momento que a lua
No céu surgir pra me iluminar...
Juro pelo ar, pelo fogo, pela água.
E por fim juro pela Poesia dentro de mim
Que faz nascer esta dança pra ti.
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
Cigano
Sei que prendeu com teu olhar de lince
Durante a dança a cor da pele escondida
Dancei em teu peito de cigano fiz um lance
Mas em cada dança fiquei mais perdida.
Sei tuas mãos fizeram marcas e flagrou
Tuas garras salvaram do fogo não de você
Quando na fogueira meu xale queimou
Cigano como pode, tornar a captura tão doce?
Sei no final da dança gritou para seu cavalo
E tal qual um alado ele surgiu do simples nada
O final o compasso se uniu ao momento do regalo
Uma fuga concluiu em tua garupa por ti planejada.
Sei que capturou em tua criação uma zíngara
Mas doce nômade, qual dança agora surgirá?
Direitos
Autorais Reservados®
Haikai em Especiarias
Noz Moscada
Das Ilhas Banda
Especiaria valiosa
Sabor nos pratos.
Marli
Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai em Especiarias
Cominho
Do Oriente Médio
Dos antigos aos atuais
O melhor sabor.
Marli
Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai em Especiarias
Gengibre
Da Ásia vem a origem
Picante, puro sabor
E é apreciado.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai em Especiarias
Açafrão
Vem dos antigos
Sabor rico no prato
Paella e risoto.
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
Haikai em Especiarias
Pimenta Preta
Tempero antigo
Valiosa nas rotas
Realça o sabor.
Marli
Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai 206- em Especiarias
Canela
Bela é a Canela
É medicinal e adoça
Há anos dá sabor.
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
* Originária do Sri Lanka,
a canela é usada há milênios.
Palavras
na Varanda
As minhas palavras apreciam a brisa
na
varada da minha alma.
Na varanda da minha alma, passa um rio suave
nele desliza a jangada da quietude. E ali também tem as flores de lavanda
cobrindo o assoalho da jangada.
Na varanda da minha alma, tenho as minhas
palavras, lá elas são aquecidas pelo Rei Sol. É na varanda também que recebem o
banho de prata do Luar. Nas imersões do Sol e do Luar, as palavras conseguem
flutuar na varanda e dançar com as flores soltas da cerejeira.
A caneta
costuma despertar as palavras
fazendo o contorno das sílabas. Na caligrafia o movimento da caneta é ágil com o
tom vibrante das rosas vermelhas, tal qual uma espada quando flecha o ar. É como
um batom delineando a boca das sílabas, para quando a hora for chegada,
deslizar nas linhas da folha branca.
As minhas palavras estão como pássaros se
colorindo voando na primavera. O tempo é o guardião da folha branca, lá onde o
limiar das pupilas se dirige para uma pausa nas horas, para relaxar no perfume da
indelével Poesia.
Agora, no simples agora, as minhas palavras
apreciam a brisa e o perfume das cerejeiras na varanda da minha alma.
Marli
Franco
Direitos Autorais Reservados®
Café
a Inspiração
O
dia desperta com o vento
Equilibrando acrobacias um alento
O sol escreve letras douradas
Trapezistas
nas paredes acaloradas.
Os
sons das notas surgem
No
fogão as línguas de fogo urgem
A
deusa água ferve com a conexão
Ao
ver o Senhor Café a inspiração.
E
tudo corre na xícara branca
A
elegância sutil da mesa franca
As risadas são como estrelas a falar
No
início do dia a magia vai instalar.
Os dois gatos são domadores
Da
folha e da caneta salteadores
O picadeiro nos pés da mesa
No dia que se inicia com surpresa.
O
aroma espalha a hora do café
Lembro o sarau no cybercafé
No
encontro das letras o encanto.
Um
sorriso no preparo do recanto.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Passeio
no Píer
A
prosa chega quando sentada me encontra no píer da vida...
Olho o céu tão azul dando sorrisos ao mar enquanto as gaivotas brincam com suas
asas colorindo, entre o céu e o mar, o ar da vida. Os meus pés brincam nus nas
águas azuis deste mar manhoso, que neste momento assiste o voo das gaivotas.
Suas ondas surgem macias com riscos de espumas brilhando ao sol. O olhar vaga
passeando entre o céu e a terra, com vontade de emergir no horizonte em busca
de ilusões distantes.
O dia passa vagarosamente, com preguiça sem a pressa das horas, que parecem ter
ido embora deixando a natureza livre para reinar. Eu neste mundo tão particular
me entrego neste azul, respirando o banho das cores e sentindo a brisa em
respingos do mar molhar meu vestido. Um momento íntimo onde o paraíso parece
descer dos céus para brindar a terra. Lembro dos meus desejos tão secretos, das
sensações que trago tão escondido, dos meus pedidos silenciosos que povoam este
universo tão meu. Se alguém olhasse nesta imagem talvez em uma fresta de azul
pudesse ver os segredos tão ternos e ao mesmo tempo tão lascivos, voando nestas
nuvens abertas. O meu corpo ainda palpita em sensações que agitam os meus
detalhes mais cobertos, sem que ninguém perceba meu espaço interno; que ainda
me leva em grandes alturas e quantos sonhos perfeitos desfilam dentro de mim...
O fim da tarde chega ainda brincando no meu rosto, o vento desabotoa meu
vestido deixando seu perfume no vão entre a ver no colo dos meus seios. É neste
momento de suprema serenidade que você se aproxima sem licença, invadindo meu
espaço num olhar ousado. Desprevenida em meu devaneio surges além da fresta de
nuvens, se materializa no cenário como um toque de magia. Senta-se tão próximo
e calado acompanha o movimento dos meus pés na água. Olhas inquisitivamente
como quem sabe e conhece bem meus pensamentos. Sinto que reparas no vestido
coberto de respingos de água, que cola em meu corpo deixando moldada a minha
silhueta. Senta-se ao lado, fixa teu olhar acompanhando o movimento dos meus
pés ainda submersos na água. Recolho ligeiro este movimento, insegura, tentando
manter-me distante. Mas a tua audácia e ousadia com força movimentam as águas,
com o balanço dos teus pés que espirram mais gotas em minha saia rodada. O
vento teu cúmplice auxilia na façanha e sem limites levanta a beirada da saia,
deixando teu olhar aguçado na brincadeira silenciosa derramar o sorriso em teus
lábios.
Sem muito pensar, apenas em impulso tentando fugir da situação levanto-me
bruscamente e neste misto de ansiedade com perturbação é que escorrego no píer
caindo sobre teu corpo. Paralisada na ação, com o olhar buscando um refúgio,
teus braços movimentam acolhendo-me em um doce abrigo. Em uma perfeita
conjugação de contornos unidos, ficam sem que nenhum dos dois mude o prelúdio
que se instala. As emoções estremecem nossos corpos de onde flui a energia da
alquimia. Somos dois em um, as palavras são desnecessárias o corpo tem todas as
falas. O teu olhar penetra nos meus em uma mistura de parcerias tuas mãos se
tornam ondas arrastando –me em profundos mares que me entrego vencida,
extasiada dentro do clima.
Permito-te todas as ações e te envolvo em todas as emoções. Surpreendes com
minha ternura e minha sensualidade, unidas desencadeando em tuas íntimas
sensações vorazes deixando-o perder o controle do tempo e do espaço. Nossos
desejos atingem patamares inviáveis no píer, recobrar o controle já se torna impossível.
Vejo em teus olhos a razão mostrando que vais me levar para teu covil, que sua
presa serei sem outra opção tanto quanto você pertence aos meus braços e deles
já não quer mais sair.
Levantas e me carregas em seus braços, sem pressa absorve um abraço,
colocando-me na sua frente. Nossos corpos são peças que se encaixam com
perfeição, nesta utopia teus olhares ainda mergulham no meu. Sabemos de todos
nossos silêncios na paixão clamados de amor na união.
O sol vai se pondo no horizonte, as gaivotas soam avisando que o tempo até
então parado a nossa volta está para retornar, tuas mãos tocam meu rosto para a
suavidade do momento marcar em meus lábios o movimento sublime de um beijo...
O píer continua ali parado, vazio olhando céu e o mar...
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
Encanto da Solitude
Esperei a voz do amanhã me acalmar, aquela que murmura nos bambuzais e traz para mim o encanto da solitude.
A solitude me faz regressar ao caminho, no compasso das notas da minha alma, o passeio no tempo em que eu estou de mãos dadas com a minha suavidade.
Esperei a voz do amanhã, a voz do sol aquecendo os meus pensares. Esperei o vento despertar as margaridas plantadas no beiral da jornada, para honrar o sol do livro silencioso nas vertentes da minha poética interna.
O presente faz acrobacias nas chuvas ou no sol, no inverno ou no verão e perpetua todos os efeitos nos campos vastos da saudade sem se importar com os brocados das emoções, tudo fica arquivado nas estórias das estantes.
E assim no futuro os papeis se transformam em lembranças. Então ali se transmutam em pergaminhos preciosos que serão em algum momento, em rodas de celebração despertados como estórias das estantes.
Enfim onde serão relatados como momentos dourados de um tempo precioso da jornada.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai -205
Dia
Ensolarado
No
céu segue a íris
Viajando
no acaso
Perde-se
no azul.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Haikai -204
Imaginação
Imagina arte
A tela espera o pincel.
No avesso a foto.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Os ponteiros andam sempre com pressa de
marcar o vento que passa.
Os
ponteiros das gerações e seus conflitos, dos arroubos da juventude que chocam
com as mechas brancas.
Os ponteiros das grandes épocas em contraposição com as grandes guerras, com as
grandes catástrofes, as desastrosas epidemias e as grandes descobertas.
Os tic...tac vão andando sem se alterar, pois o mundo não para tem de caminhar,
fazer uma nova história, traçar neste presente e ser um dia de época no passado
comentada no futuro seja boa ou ruim.
O tic..tac dos homens rola, o planeta transforma a essência da vida que escapa
do controle da razão e bate de frente com a intolerância que aniquila a própria
vida.
Os ponteiros continuam , o calendário vira, a economia do mundo aterroriza e os
indivíduos se arrastam na sarjeta e outros....Lambem os palácios.
O tic...tac continua...O mundo também os homens aprendem e esquecem tudo
novamente pois a memória é caixa de esquecimentos.
Mas o tic.. tac continua, continua... Na esperança da criança, na energia do
jovem, na insensatez do adulto, na sabedoria do velho.
O vento só para o tic...tac quando o amor acontece, mas o momento é tão efêmero
que o homem o perde e o tic..tac volta a reger as horas do tempo presente.
No começo deste texto o pensamento já virou passado e quando o ponto final
tocar no papel será o futuro que estará na porta do tempo que o vento levará.
Marli Franco
Direitos
Autorais Reservados®
A Flor de Lótus e a Poética
Na humildade do lodo ela surge com beleza inigualável.
Perfeita fica submergida na noite nas águas e ao
raiar do dia aparece bela, tranquila inatingível com sua virtude simbolizando a
pureza e vida longa.
A poética sinto assim que fica submergida nas águas
profundas da alma. A inspiração consegue trazer na superfície a Poesia em
momentos raros quando o silêncio reina no cenário e se ouve apenas e unicamente
o canto da lira.
A poética surge submergindo das águas deslizando
nos versos ileso e abrindo suas pétalas em rimas deslumbra a folha branca com
sua intocável beleza.
A flor de lótus e a poética possuem a beleza
intocável uma é divina ficamos sem palavras, a outra a inspiração cai nas mãos humanas,
mas o seu berço também é na luz divina.
Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®
Folha de Amor
Quero desenhar na folha do amor a força da
versatilidade inspirativa do bambu nos títulos das criações.
Quero no tom do coração exercitar a voz verde da
flexibilidade dos versos nos bambuzais da vida,
Quero nas sombras das texturas da folha de amor
fazer o degrade da resiliência poética.
E assim no vão oco do bambu transmutar a folha da
paixão com força e ali arquivar a minha poesia com sua natureza esquecida no
tempo do meu pensamento inquieto.
Marli Franco
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Xadrez
Xadrez na toalha da mesa
Que estende o orgulho fugaz
De um rei no tabuleiro errado
Comandando o jogo sem espetáculo.
Os súditos ajoelham-se no seu manto
Lançam suas vozes nos diversos cargos
Da rainha ao bispo, a escória do mundo
Da torre ao peão na roda às avessas
Efêmera ilusão no poder do ouro .
E o tabuleiro gira e move a vida
Troca movimentos no curso dos quadrados
Nos pretos e brancos avançam e retardam
Na corrida do nada, os cavalos se atropelam.
Dobra o tabuleiro no teatro fechado
O destino levanta a toalha no vento
No xadrez das batalhas oníricas
Das peças todas marcadas na vida.
Xeque-mate...vence a prepotência.
Marli
Franco
Direitos
Autorais Reservados®
Silencio
Quando o sol desperta meu amor sem aviso-me entrego
a luz sem reservas e cubro-me com o edredom da paz.
A natureza mais íntima em meu jardim desperta
desejos de comungar o equilíbrio e me harmonizar como o canto dos pássaros
deslizando no ar.
Nos momentos desta paz olho os meus desejos e noto
que são tão simples como o vento, quando brejeiro toca as folhas do outono as fazendo navegar
na brisa.
A natureza com seu rumo perfeito que perfuma a vida
em um equilíbrio notável me chama com seu canto contemplativo.
A minha bússola precisa ser direcionada novamente,
o meu olhar necessita organizar para seguir adiante sem desvios; com o silencio
nas mãos e os lábios livres apenas para plenitude poética.
Que o sol ao me despertar seja a luz que me aquece
no cotidiano, fazendo-me trilhar nas asas da harmonia em sintonia com o cosmo.
Marli Franco
Direitos Autorais
Reservados®
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