"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


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Palavras na Varanda




 

Palavras na Varanda

 

As minhas palavras apreciam a brisa

 na varada da minha alma.

Na varanda da minha alma, passa um rio suave nele desliza a jangada da quietude. E ali também tem as flores de lavanda cobrindo o assoalho da jangada.

Na varanda da minha alma, tenho as minhas palavras, lá elas são aquecidas pelo Rei Sol. É na varanda também que recebem o banho de prata do Luar. Nas imersões do Sol e do Luar, as palavras conseguem flutuar na varanda e dançar com as flores soltas da cerejeira.

A caneta   costuma despertar as palavras fazendo o contorno das sílabas. Na caligrafia o movimento da caneta é ágil com o tom vibrante das rosas vermelhas, tal qual uma espada quando flecha o ar. É como um batom delineando a boca das sílabas, para quando a hora for chegada, deslizar nas linhas da folha branca.

As minhas palavras estão como pássaros se colorindo voando na primavera. O tempo é o guardião da folha branca, lá onde o limiar das pupilas se dirige para uma pausa nas horas, para relaxar no perfume da indelével Poesia.

Agora, no simples agora, as minhas palavras apreciam a brisa e o perfume das cerejeiras na varanda da minha alma.

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®



Café a Inspiração

 



Café a Inspiração

 

O dia desperta com o vento

 Equilibrando acrobacias um alento

 O sol escreve letras douradas

Trapezistas nas paredes acaloradas.

 

Os sons das notas surgem

No fogão as línguas de fogo urgem

A deusa água ferve com a conexão

Ao ver o Senhor Café a inspiração.

 

E tudo corre na xícara branca

A elegância sutil da mesa franca

 As risadas são como estrelas a falar

No início do dia a magia vai instalar.

 

 Os dois gatos são domadores

Da folha e da caneta salteadores

  O picadeiro nos pés da mesa

  No dia que se inicia com surpresa.

 

O aroma espalha a hora do café

  Lembro o sarau no cybercafé

No encontro das letras o encanto.

Um sorriso no preparo do recanto.


Marli Franco

Direitos Autorais Reservados® 



Passeio no Píer

 




Passeio no Píer

 

A prosa chega quando sentada me encontra no píer da vida...
Olho o céu tão azul dando sorrisos ao mar enquanto as gaivotas brincam com suas asas colorindo, entre o céu e o mar, o ar da vida. Os meus pés brincam nus nas águas azuis deste mar manhoso, que neste momento assiste o voo das gaivotas. Suas ondas surgem macias com riscos de espumas brilhando ao sol. O olhar vaga passeando entre o céu e a terra, com vontade de emergir no horizonte em busca de ilusões distantes.


O dia passa vagarosamente, com preguiça sem a pressa das horas, que parecem ter ido embora deixando a natureza livre para reinar. Eu neste mundo tão particular me entrego neste azul, respirando o banho das cores e sentindo a brisa em respingos do mar molhar meu vestido. Um momento íntimo onde o paraíso parece descer dos céus para brindar a terra. Lembro dos meus desejos tão secretos, das sensações que trago tão escondido, dos meus pedidos silenciosos que povoam este universo tão meu. Se alguém olhasse nesta imagem talvez em uma fresta de azul pudesse ver os segredos tão ternos e ao mesmo tempo tão lascivos, voando nestas nuvens abertas. O meu corpo ainda palpita em sensações que agitam os meus detalhes mais cobertos, sem que ninguém perceba meu espaço interno; que ainda me leva em grandes alturas e quantos sonhos perfeitos desfilam dentro de mim...


O fim da tarde chega ainda brincando no meu rosto, o vento desabotoa meu vestido deixando seu perfume no vão entre a ver no colo dos meus seios. É neste momento de suprema serenidade que você se aproxima sem licença, invadindo meu espaço num olhar ousado. Desprevenida em meu devaneio surges além da fresta de nuvens, se materializa no cenário como um toque de magia. Senta-se tão próximo e calado acompanha o movimento dos meus pés na água. Olhas inquisitivamente como quem sabe e conhece bem meus pensamentos. Sinto que reparas no vestido coberto de respingos de água, que cola em meu corpo deixando moldada a minha silhueta. Senta-se ao lado, fixa teu olhar acompanhando o movimento dos meus pés ainda submersos na água. Recolho ligeiro este movimento, insegura, tentando manter-me distante. Mas a tua audácia e ousadia com força movimentam as águas, com o balanço dos teus pés que espirram mais gotas em minha saia rodada. O vento teu cúmplice auxilia na façanha e sem limites levanta a beirada da saia, deixando teu olhar aguçado na brincadeira silenciosa derramar o sorriso em teus lábios.


Sem muito pensar, apenas em impulso tentando fugir da situação levanto-me bruscamente e neste misto de ansiedade com perturbação é que escorrego no píer caindo sobre teu corpo. Paralisada na ação, com o olhar buscando um refúgio, teus braços movimentam acolhendo-me em um doce abrigo. Em uma perfeita conjugação de contornos unidos, ficam sem que nenhum dos dois mude o prelúdio que se instala. As emoções estremecem nossos corpos de onde flui a energia da alquimia. Somos dois em um, as palavras são desnecessárias o corpo tem todas as falas. O teu olhar penetra nos meus em uma mistura de parcerias tuas mãos se tornam ondas arrastando –me em profundos mares que me entrego vencida, extasiada dentro do clima.


Permito-te todas as ações e te envolvo em todas as emoções. Surpreendes com minha ternura e minha sensualidade, unidas desencadeando em tuas íntimas sensações vorazes deixando-o perder o controle do tempo e do espaço. Nossos desejos atingem patamares inviáveis no píer, recobrar o controle já se torna impossível. Vejo em teus olhos a razão mostrando que vais me levar para teu covil, que sua presa serei sem outra opção tanto quanto você pertence aos meus braços e deles já não quer mais sair.
Levantas e me carregas em seus braços, sem pressa absorve um abraço, colocando-me na sua frente. Nossos corpos são peças que se encaixam com perfeição, nesta utopia teus olhares ainda mergulham no meu. Sabemos de todos nossos silêncios na paixão clamados de amor na união.


O sol vai se pondo no horizonte, as gaivotas soam avisando que o tempo até então parado a nossa volta está para retornar, tuas mãos tocam meu rosto para a suavidade do momento marcar em meus lábios o movimento sublime de um beijo...

O píer continua ali parado, vazio olhando céu e o mar...

 

Marli Franco

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Encanto da Solitude

 





Encanto da Solitude

 

Esperei a voz do amanhã me acalmar, aquela que murmura nos bambuzais e traz para mim o encanto da solitude.

A solitude me faz regressar ao   caminho, no compasso das notas da minha alma, o passeio no tempo em que eu estou de mãos dadas com a minha suavidade.

Esperei a voz do amanhã, a voz do sol aquecendo os meus pensares. Esperei o vento despertar as margaridas plantadas no beiral da jornada, para honrar o sol do livro silencioso nas vertentes da minha poética interna.

O presente faz acrobacias nas chuvas ou no sol, no inverno ou no verão e perpetua todos os efeitos nos campos vastos da saudade sem se importar com os brocados das emoções, tudo fica arquivado nas estórias das estantes.

E assim no futuro os papeis se transformam em lembranças. Então ali se transmutam em pergaminhos preciosos que serão em algum momento, em rodas de celebração despertados como estórias das estantes.

 Enfim onde serão relatados como momentos dourados de um tempo precioso da jornada.

 

Marli Franco

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Haikai -205 Dia Ensolarado

 



Haikai -205

 

Dia Ensolarado

 

No céu segue a íris

Viajando no acaso

Perde-se no azul.

 

Marli Franco

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Haikai -204 Imaginação


Haikai -204

Imaginação

 

Imagina   arte

A tela espera o pincel.

 No avesso a foto.

 

Marli Franco

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O TEMPO QUE O VENTO LEVA

 


O TEMPO QUE O VENTO LEVA

 

Os ponteiros andam sempre com pressa de marcar o vento que passa.

 Os ponteiros das gerações e seus conflitos, dos arroubos da juventude que chocam com as mechas brancas.
Os ponteiros das grandes épocas em contraposição com as grandes guerras, com as grandes catástrofes, as desastrosas epidemias e as grandes descobertas.
Os tic...tac vão andando sem se alterar, pois o mundo não para tem de caminhar, fazer uma nova história, traçar neste presente e ser um dia de época no passado comentada no futuro seja boa ou ruim.
O tic..tac dos homens rola, o planeta transforma a essência da vida que escapa do controle da razão e bate de frente com a intolerância que aniquila a própria vida.
Os ponteiros continuam , o calendário vira, a economia do mundo aterroriza e os indivíduos se arrastam na sarjeta e outros....Lambem os palácios.
O tic...tac continua...O mundo também os homens aprendem e esquecem tudo novamente pois a memória é caixa de esquecimentos.
Mas o tic.. tac continua, continua... Na esperança da criança, na energia do jovem, na insensatez do adulto, na sabedoria do velho.
O vento só para o tic...tac quando o amor acontece, mas o momento é tão efêmero que o homem o perde e o tic..tac volta a reger as horas do tempo presente.
No começo deste texto o pensamento já virou passado e quando o ponto final tocar no papel será o futuro que estará na porta do tempo que o vento levará.

Marli Franco

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A Flor de Lótus e a Poética


 

A Flor de Lótus e a Poética

 

Na humildade do lodo ela surge com beleza inigualável.

Perfeita fica submergida na noite nas águas e ao raiar do dia aparece bela, tranquila inatingível com sua virtude simbolizando a pureza e vida longa.

A poética sinto assim que fica submergida nas águas profundas da alma. A inspiração consegue trazer na superfície a Poesia em momentos raros quando o silêncio reina no cenário e se ouve apenas e unicamente o canto da lira.

A poética surge submergindo das águas deslizando nos versos ileso e abrindo suas pétalas em rimas deslumbra a folha branca com sua intocável beleza.

A flor de lótus e a poética possuem a beleza intocável uma é divina ficamos sem palavras, a outra a inspiração cai nas mãos humanas, mas o seu berço também é na luz divina.

Marli Franco

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Folha de Amor

 


Folha de Amor

 

Quero desenhar na folha do amor a força da versatilidade inspirativa do bambu nos títulos das criações.

Quero no tom do coração exercitar a voz verde da flexibilidade dos versos nos bambuzais da vida,

Quero nas sombras das texturas da folha de amor fazer o degrade da resiliência poética.

E assim no vão oco do bambu transmutar a folha da paixão com força e ali arquivar a minha poesia com sua natureza esquecida no tempo do meu pensamento inquieto.


Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®




Xadrez


 

Xadrez


Xadrez na toalha da mesa
Que estende o orgulho fugaz
De um rei no tabuleiro errado
Comandando o jogo sem espetáculo.


Os súditos ajoelham-se no seu manto
Lançam suas vozes nos diversos cargos
Da rainha ao bispo, a escória do mundo
Da torre ao peão na roda às avessas
Efêmera ilusão no poder do ouro .


E o tabuleiro gira e move a vida
Troca movimentos no curso dos quadrados
Nos pretos e brancos avançam e retardam
Na corrida do nada, os cavalos se atropelam.


Dobra o tabuleiro no teatro fechado
O destino levanta a toalha no vento
No xadrez das batalhas oníricas
Das peças todas marcadas na vida.
Xeque-mate...vence a prepotência.

 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®


Silencio


 

Silencio


Quando o sol desperta meu amor sem aviso-me entrego a luz sem reservas e cubro-me com o edredom da paz.

A natureza mais íntima em meu jardim desperta desejos de comungar o equilíbrio e me harmonizar como o canto dos pássaros deslizando no ar.

Nos momentos desta paz olho os meus desejos e noto que são tão simples como o vento, quando brejeiro   toca as folhas do outono as fazendo navegar na brisa.

A natureza com seu rumo perfeito que perfuma a vida em um equilíbrio notável me chama com seu canto contemplativo.

A minha bússola precisa ser direcionada novamente, o meu olhar necessita organizar para seguir adiante sem desvios; com o silencio nas mãos e os lábios livres apenas para plenitude poética.

Que o sol ao me despertar seja a luz que me aquece no cotidiano, fazendo-me trilhar nas asas da harmonia em sintonia com o cosmo.

Marli Franco

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Partitura das Tuas Mãos

 



Partitura das Tuas Mãos

 

Quando te encontro és música

És meu momento

Salto as horas e chego no azul do céu

Vejo peixes nas nuvens e estrelas no mar

E sei sentir teus braços em minha cintura

Colocando o anel das ilusões.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

Quando te encontro és música.

O teclado salta nas águas do mar

Deixando pétalas de sonhos na espuma das ondas

E das nuvens voam desejos em formato de corais

Enquanto você rouba beijos nos meus lábios

Selando segredos assinados

Nas palavras estreladas.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

 

No final somos constelações

Nas linhas da melodia

Feito almas silentes na fonte do Uno

Consciência do Amor na luz.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

Marli Franco

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Horas

 






Horas


As horas nas minhas mãos

Vazias se ajeitam como gatos ao sol

Esperam junto de mim

O silencio...

 

As horas nas minhas mãos

Ficam assim como um piano

No final de tarde

Dedilhando o inverno ensolarado.

 

As horas voam das mãos

Levam os momentos esquecidos

Nas pausas da tarde

Perdidos nas agitações...

 

As horas voam das mãos

Desejando as claves do piano

E assim, só assim encontrar

No silencio da mente

Nas notas da alma, a voz da Poesia.

Nas horas esquecidas nas mãos...

 

Marli Franco

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Arte Visual -Marli Franco

A Viagem


 

A Viagem

 

Olho as pétalas que caem

Na fluidez o rio as atrai serpenteiam

Com os encantos das viagens distantes

Delicia-se a pétala nas águas amantes.

 

Os braços de águas longas invocam

O novo mundo as pétalas provocam.

Os abraços do rio nas águas inverneiras

  Torna a viagem bela da cerejeira.

 

Um momento da hora sorrateira

O vento rompe como algoz a viagem

E a pétala cai na terra, sua estalagem...

 

E assim no círculo natural se deslocam

A natureza se expressa viva e bela

A cerejeira no rio germina singela.


 

O amor se renova na criação festeira

Divina é a luz do rio e da cerejeira.

  

Marli Franco

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Arte Visual -Marli Franco


Haikai 202 Tranquilidade

 

 






Haikai 202

 Tranquilidade

 

Prepara o belo

Enriquece na mente

O detalhe, a paz...

 

Marli Franco

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Haikai 201 Contemplação

 





Haikai 201

 Contemplação

 

Um tempo no sol

Ouro simples e único

Contemplar viver.

 

Marli Franco

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Momento Contemplativo


 

Momento Contemplativo

 

Um momento qualquer destes onde andamos com nós mesmos de mãos dadas com nossa alma.

A consciência serenando e a paz envolvendo como um vento suave, mostrando nosso íntimo em uma escuta com novas linguagens.

Se o vento trás cartas dos mundos distantes, olho a pedra com seus contos revelando os passos de tantas criaturas que passaram em sua frente.

As figuras nem sempre são de linguagem, assim como as palavras são poucas para revelar o cosmo e sua imensidão.

Um aprendiz quer voar   com o olhar da coruja 360 graus, já deixou a águia descansar na biblioteca do coração com muita gratidão. Sabe-se bem que quando precisar a águia vem em suas mãos alertando o brilho do sol e o mergulho certeiro na terra.

 O momento do agora é como uma clareira, um olhar panorâmico da coruja a alma necessita, para continuar o aprendizado nas linhas do silencio   encontrar a voz da sabedoria.

O caminho é longo, exigente e abrangente.

A escola é como um pomar repleto de árvores alçando o céu.

O conhecimento nesta escola é inusitado, as palavras estão no perfume da natureza e as folhas dos livros são as águas da fonte irrigando o pomar.

Os meus pés estão descalços, minha voz se recolheu eu vi a pedra repleta de folhagens, vi ao balanço dos bambuzais contando as belezas que não são visíveis por não ter palavras para expressar.

Escutei os pássaros enquanto uma flauta distante sussurrava o canto entrelaçado de pausas ao amanhecer do silencio.

O momento foi assim, deixando um aroma de inverno com as cores rosa do ipê e alegria da araucária ansiando tocar o céu.

 

Marli Franco

Direitos Autorais Reservados®