"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


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Céu do Instinto



Céu do Instinto

O beijo da noite no céu do instinto
             Retiro os véus no teu reino tinto                 
Permito-me ensandecer na tua ação
Fogo de beijos é dança da paixão.


Retiro a minha veste na tua frente
Sem medo de ser ou não indecente
Quero apenas ver teu olhar perdido
Na minha nudez e teu sentir rendido.


O teu néctar nas intenções de sedas
E tua língua de verbos me alucinando
Teus braços e a voz me arrebatando.

Um vulcão consumindo minhas rendas
Esconde-me no teu peito sarraceno intenso
Perdi-me no teu beijo, na estese e o bom-senso...


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


Desejo


Desejo

Desejo   vagueando
como se fosse tuas mãos me agarrando...
Um sonho se dilui como um lago espargindo,
O desejo se move nos braços teus agindo.
O teu amor é força, fogo e clamor
um sustento d’ alma em fervor,
 aquece em intensidade, invade a ilusão
 e me beija em pura paixão.


Somos dias de plenos sóis.
Noites que fluem água de nós dois.
Ardorosos toques na nossa pele escorrendo...
Eu e você molhados em cenários de adendo,
língua com sabor de romã,
nos campos dos beijos de  avelã...
Como as cartas de afiance,
 ao longo de um romance...


Somos amantes  de sempre
na existência mais bela lembre...
Onde fluímos em luz d’ alma,
antes mesmo de sermos água calma;
lá onde estamos únicos
ao sabor da magna eternidade...

Marli Franco
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Ave-- Soldadinho em Haikai




Haikai

Soldadinho

 

É o Soldadinho

Nas folhagens quem destaca

Sua crista vermelha.

 

Marli Franco

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Haikai

Soldadinho I

 

Oh! Soldadinho

Do Araripe lá no Ceará

Guarda as nascentes.

 

Marli Franco

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Enseada do Camafeu

 Enseada do Camafeu

Oh! Meu doce Poeta a escuridão é azul.
Forrada de estrelas até o luar é convite taful
Lá estão capítulos sem fim da civilização
No centurião dos enredos da viva paixão.


Oh! Meu doce Poeta a tua voz é diamante
E o coração do Poeta pulsa no verso galante
Faz emboscada na enseada do camafeu.
Como não ser Eurídice se você vem de Orfeu?


A saudade é o romance vivo do universo
Quando chego quero te ver em mim imerso
E te deixar a querer mais ser meu eterno luar.


Que seria dos desbravadores se desistissem
Dos sonhos e se os homens sem poesias ficassem...
A palavra seria sem a água da vida e sem o verbo amar.


Marli Franco

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Cais da Saudade


Cais da Saudade

Quando o teu beijo me devastou
Vi que o céu iluminou e a terra resgatou
A praia se transformou em doce lacuna
O teu abraço de espumas carregou-me na escuna.


Se o dia e a noite se encontram parece o infinito
Como nosso desejo fluindo no encanto bonito
A exaustão prova que o tempo não importa mais
Quando o amor é o bem maior não se acaba jamais.

Olhe no fundo do mar o reflexo da lua prateada
É assim que te espero na ilha da palavra amada
Ancorada deixo minha nau no cais da tua saudade.

Mas quando por ventura cansar de me esperar
Não esquece que depois da noite vem o dia aflorar
Sou eu que amanheço junto de ti feito rimas da claridade. 
 
Marli Franco
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Milhas de Saudades



Milhas de Saudades


Faz tanto tempo... Talvez tempo nenhum.
O nosso mundo esta fora  do relógio
Estamos suspensos em lugar algum...

Faz laços nas janelas do céu é o momento
Os ponteiros tropeçam nas estrelas
Do presente iluminando o dragão ciumento.

Nas labaredas da fascinação
 Caem os beijos dos nossos Eu amantes,
Sede perversa da paixão...

Sintonia de pensamentos,
Barcos de desejos intensos,
Na proa jogos dos juramentos.

A prova do amor no sal da palavra,
O querer nadando
No mar da lavra...

Ah! Nosso amor...
A luz pura  que ilumina nossas almas,
Contagia o nosso corpo, súplica o gosto do beijo
No calor do nosso abraço arrebatador...

O silencio é nossa voz azul noturno
  O nosso mar da sensação
Nas milhas de saudades, fulgura as ondas da atração.

Marli Franco
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Armazém de Flores




Armazém das Flores


Na plataforma do agora surge a música eleita
Como uma essência pura e rara, vem celta, perfeita...
Circula meu corpo como um livro de estórias ancestrais
A minha alma se encontra plena em sons de catedrais.

O som  aparece como pétalas no beiral da janela
Desliza no íntimo criando harmonia na aura bela
É o encontro único no tempo casando a canção
Com a  música intima no castelo do meu coração.

Então descubro a minha voz do mundo antigo
A que esteve desde todo o sempre comigo
As minhas notas cantadas em festas de jasmim.

O som lírico lembra pássaros dançando no ar
As danças são de rodas evoluindo estórias a voar
Assim é um armazém de flores musicais em mim.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

Fabela -- O Leão e a Gazela





O Leão e a Gazela


O leão na hora do sol centrado na savana
Registra o cansaço de correr atrás da gazela
Sem mais resolve  outro ataque adverso
E deita fingindo de morto na savana em brasa.

A gazela em sua corrida percebe a parada
Surpreende-se com o rei deitado, todo esticado
Para e respira incrédula com o sinistro fato
Ora! O rei leão não é assim tão fraco.

Olha distante com a vista apurada e pensa...
Como pode ainda é o meio do dia um leão
Estar assim deitado e deixar a caça tão cedo
Fingindo mal quebrado, mas de olhos espreitados.

Não me engana rei leão que sei bem o teu jogo
Conheço seus dentes quase tocaram o meu osso
Conheço sua juba, conheço seu apetite inesgotável
Vou embora bem rápido sem olhar pra traz como vento.

Não quero virar na savana antepasto de leão
Antes mesmo da noite e ver o apetite deste glutão
Saborear minha carne e virar esqueleto de abutre
Antes mesmo de a dona coruja abrir a portal da lua.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®