"A estesia onde a palavra floresce na vertente livre e lírica."
"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."
Marli Franco
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A Camisa
A Camisa
Uma camisa jogada no fundo do armário deixou-me surpresa, os lábios trêmulos...
Toquei devagar, bem lentamente,fiz uma carícia e o poder da recordação começou agir.
O perfume esbarrou no coração,senti e mergulhei sem pensar nas ondas do passado.
Levei junto ao peito o tecido apertado e abracei ...
A saudade havia chegado...
Levantei a camisa perto dos lábios e beijei levemente, sem tristeza, agora consciente apenas das boas lembranças.
Contei os botões todos intactos. Olhei o armário quase vazio,solitário, rolei o olhar em cada canto...Todos cantavam os momentos especiais.
Vesti a camisa ,aqueceu meu corpo frio ausente do manto do sonho.
A camisa ainda resistia nas mãos, sem querer sair e sem querer se afastar, como que segurando o relógio do tempo.
Mas uma lágrima escorreu nas faces era a badalada do final do momento.
Estiquei com carinho a camisa no cabide, dei um beijo não de despedida. Nunca de despedida ,apenas um suspiro até outro momento supremo das lembranças.
Fechei as portas do armário me vesti com o sorriso de quem teve a beleza da vida...
Em um tempo inesquecível....
Plataforma Dourada
Plataforma Dourada
Olho o mar lá distante trocando suas cores com o sol deixando suas águas vestirem o laranja, avisando que é hora no poente de terminar o dia que se estendeu tão quente.
No céu deste verão tão intenso que se cobre na cor laranja, banhando as nuvens em respingos de vermelho, mostrando assim no final da tarde que impera no céu e no mar o domínio do sol.
A lua vai tardar a chegar na praia, o dia se estende além do poente nesta estação.
No meio deste templo alaranjado aparece no mar o portal dos sonhos.
Com bases tão sólidas esta sobre as águas, com suas colunas douradas avisando que as mãos humanas se esmeraram.O seu formato leva a imaginação se abrir em muitas direções, tal qual seu brilho que se espalha nas águas do mar. No meio de suas grades que lembram bem uma plataforma de ouro, aparecem detalhes desenhados em cada uma formando arabescos de um ourives minucioso.
Um círculo surge bem no meio de uma lateral avisando que é ali a passagem para tudo que a imaginação permitir.O circulo é perfeito e se encaixa nas grades da plataforma, bem em cima dela mostrando que não é para se esconder.Sobre este foram colocadas quatro arandelas com chamas sempre acesas, para avisar aos barcos que a ilusão esta por perto...
O mar enfeitiçado com este adorno sobre suas águas se mantém em toda sua volta em perfeita calmaria segurando suas pilastras, com sabedoria e consentimento de que nas suas águas pode permanecer indefinidamente...
A natureza registra a beleza da obra e adiciona nesta imagem em perfeita harmonia pequenos seres mágicos, de delicadeza ímpar: as borboletas. Com suas asas na cor púrpura e rosa deslizam nas águas do mar e depois alçam um vôo livre, ultrapassando por entre o círculo do portal voando em direção ao mar infinito da criação.
A plataforma brilha neste sol que tinge o céu e o mar, entre tantas tonalidades todas extraídas da estrela que ilumina a plataforma.Com a disposição das grades em duas laterais ela se reveste de segurança aos céticos da realidade.À frente da plataforma suporta o circulo, mostra que só os sonhadores podem invadir seu domínio, o lado oposto fica totalmente aberto bem na direção do círculo, mostra com maestria e total sutileza que depois de passar o portal ,os limites se abstraem...
A natureza que é divina confirma esta visão com o vôo das suas anfitriãs as borboletas, com delicadeza e tão sensível fragilidade conseguem ultrapassar o portal.
Bem distante desta obra de arte a imagem de um barco, com suas velas brancas é vista, paira nas águas do mar sua sombra. Avisa da sua indecisão ,seus receios, seus medos de deixar aflorar sua criação e voar como as borboletas na sua imaginação.O mar ali consente sem pressa como se no poente o rei sol fosse permanecer intacto neste verão.Dá ao barco a possibilidade de assim ficar, além das horas para decidir se viaja na direção da sua imaginação ou retorna ao seu mundo longe da criação.
Quanto à plataforma fica ali estática, mas a tudo observa, comunicando-se no silencio com a beleza do pôr do sol nesta estação do verão; deixando as borboletas acariciarem
com suas asas o dourado da sua base em prosa, na poesia fantástica que vive no mundo...
Asas da criação de mim voam
Carregam –me em teu sol de verão
Levam-me no beijo da tua luz em mim
Ultrapassando como as asas de borboletas
No rumo infinito do meu amor intenso por ti...
IX Carta - Fios do Amor
IX Carta - Fios do Amor
Quando ando campinas do meu pensamento é onde te vejo, onde os meus olhos encontram nas estrelas os teus olhos e o teu sorriso.
Necessito sentir tua presença fluindo perto de mim, despida do meu manto da ausência.
Existem tantas palavras que me chamam para ver o veludo do céu, tantas sílabas buscando formas geométricas e criando o surreal em cima da vida.
Hoje meu corpo firma na montanha, sei quando voar e voltar ao ninho como as gaivotas voltam para o mar.
Hoje sinto apenas a falta dos teus braços de aço, do teu beijo de tanto amor. Sinto tanta falta que em minha cintura as tuas mãos de luz parecem contas de juras, como contas de diamantes que surge em cada ano cravejado de saudade. A minha pele cada vez mais lembra o alabastro e o meu castelo fica cada vez mais alto guardando a luz deste amor que se estende ampliando minha inspiração.
Então quando corro nas campinas onde sei que estas e sei que lá me espera para um tempo fora do tempo teremos o impossível, aquilo que lembra as floradas das macieiras, o lago das sensações... Lá onde as águas são fios do amor do nosso amor eterno.
Poema musicalizado -Poesia Invisível
Música e Voz - Silvia Occorso - Poeta e compositora
Letra / Poema: Invisível Poesia - Marli Franco
Agradeço Silvia Occorso esta honra que com sua voz fantástica veio iluminar a luz da minha humilde Poesia.
Sombras de Veludo
Tradução feita pelo Poeta José Francisco T.G.
do Fórum LADY HALCÓN
a quem agradeço este maravilhoso trabalho
que une nossos idiomas irmãos.
Cartas II........Lembrança ao Meio Dia
Cartas II........Lembrança ao Meio Dia
Sinto um tom alaranjado a palpitar de amores inspirando desejos...
Que tempo é este que passa meu doce amor, a voar em minha mente pedinte neste abandono que se instala incoerente.
Que tempo é este que passa meu doce amor, a voar em minha mente pedinte neste abandono que se instala incoerente.
Trago o peito rasgado em meus sonhos, doces quimeras de versos que lhe dedico nesta distancia que se interpõe em nossas vidas.
Quem dera meu único amado, pudesse eu ter a magia para correr nas nuvens e te abraçar em um só minuto a reviver nossa plena união.
A lágrima que cai agora me deixa ébria neste tormento que me faz viver, de tanto te amar e fico assim a te relembrar pelas avenidas que me inspira a versejar.
O teu olhar, doce amor, vem tão leve mergulhar em minha íris a encantar e neste fragmento do tempo me entrego, na doce ilusão de ter-te ainda assim em plenitude.
Beijo tua alma em luz que me irradia e nela sinto teu amor em todos meus dias, é neste tempo que vejo o quanto ainda sou feliz por viver contigo neste aconchego que nos é assim permitido.
O universo é dono de tantas magias que nos concede ainda a quimera mais doce da vida, vindo embalar este encontro furtivo no silencio do meio do dia.
Como saltar desta ilusão que me aquece, meu querido, se é em teus braços que me sinto ainda viver em pequenos consentimentos. E não importa se para isso ,o segundo seja só o tempo de uma lágrima a escorrer pela face e mergulhar nos beirais dos meus lábios sentindo teu doce aproximar.
Em meu coração pulsa teu nome, em minhas mãos ainda sinto teu calor, mas é na alma que mais sinto o amor que depositas em mim com tanto carinho.
De onde vem já não me pergunto, e para onde vai só penso que pode te alcançar esta sensação tão doce que me abraça na calma da tarde que aqui me enlaça.
Como posso procurar explicações reais, se me basta sentir a plenitude de tanto te amar...
*
*
*
Se um beijo meu pudesse
Depositar bem perto dos teus lábios
Eu mergulharia em teus olhos
A romper a imensa saudade
E te envolver cativa no abraço
Do amor que pulsa em minha vida
Ainda intenso a luz que passa de cada dia.
Carta III...Retrato da Saudade
Carta III...Retrato da Saudade
Quando o dia vai assim sumindo e a noite vem caindo bem de mansinho fico a lembrar a beleza que é sentir e te amar.
Quando o tempo se mostra querendo me entristecer na calma da noite, olho o teu retrato guardado dentro de mim e vejo... Que no presente ainda carrego tua imagem dentro de mim.
Como as nuvens, que vão saindo de um lado para outro bem devagar num vôo sutil sem ninguém quase notar; assim caminho eu nas ruas da minha alma em passos leves, sabendo o que quero e tendo a certeza que os passos teus me acompanham.
Seja em tempos de sol ou nas jornadas da lua não importa o meu olhar sempre vago nas alamedas que tuas mãos se abrem para lembrar pequenos ou grandes momentos para te querer.
Se o dia solicita o sol para ficar mais belo, meu coração se irradia em uma fresta de quimera pousada em um desejo surreal do teu perfume caindo em meu olfato por puro acaso.
Se a noite pede a lua para desfilar no céu fazendo promessas absurdas da mesma essência enluarada me visto para sonhar em um fragmento estelar sonhando contigo passear...
Mas se verte do céu azulado
O pranto leve de um raio dourado,
Jorra na superfície da minha alma
A poesia em gotas prateadas
Da saudade que nunca se acaba...
Carta IV ---Ao meu amor ,do centro da minh´alma
Carta IV ---Ao meu amor ,do centro da minh´alma
No centro da minha alma encontro partituras escondidas, cobertas pelos papéis de lembranças esquecidas do ontem, debaixo dos meus afluentes noturnos de lágrimas.
A nostalgia cala neste mergulho insensato, sem fugir do meio do nada que no concreto me rodeia.
Pródigo silêncio que impera no momento...
O âmago da alma suspira em prol dos dias anteriores, não há o que pedir ou esperar na estância da saudade.
O presente tem a cor alaranjada das aquarelas bem diluídas , o futuro é só um arco-íris para brincar que os dias poderão ser tingidos de um colorido qualquer, já não importa a matiz que vai se atingir.
Na fresta de uma trilha destas minhas planícies d´alma, nota uma ilusão perdida no acaso de um dia qualquer em que foi plantada.Pousa na sombra de uma cicatriz sem mais pulsar pelo sol ou pela noite.Pobre ilusão parece mesmo um dia no ínicio do inverno tão pálida,tão esquecida no canto de um dia bem vivido.
O caminho para ilha da solidão é paradoxal, o absoluto sentimento se une ao relativo conformismo da vida . As brumas esperam silentes nesta hora calada da melancolia.A alma sente na superfície o absurdo da ausência mais que profundo.O olhar absorve todo plano de busca as portas de tantos mecanismos entre o possível e o inatingível se estende sem abrir, o silencio reina camuflado de serenidade mostrando o caminho da mais profunda dor...
A dor de te amar e saber que não posso mais te ter nesta dimensão...
Os anos se passaram como as marés, senti dia após dia,do sol quando raiava ou quando as estrelas anunciavam a chegada da noite . Criei mergulhos no nada para te sentir além da minha própria imaginação...
Mentir a mim mesma não vale neste mergulho isolado,não posso deixar de te amar, é como não sentir um sopro da brisa em minha pele, é a constatação mais clara como o vento que é bem vindo em dia de verão .Não posso enganar-me mais, te amo ainda em cada minuto que por mim atravessa, em cada dia que amanhece,já não importa o como e nem tão pouco os porquês,este amor que pulsa sem domínio , como o barulho do mar em tormentas...
Sei que esta além de mim esta força, sei que sou dominada por ela e que não tenho mais como mudar e nem quero mudar esta razão de viver.
Amar-te é como respirar , não posso mais deixar de sentir esta vibração na minha essência. Tem a mesma cadência do meu coração , uma parte tão absurdamente inserida dentro de mim, como o teu sobrenome que faz parte do meu nome.
Sou apenas tua ainda,me sinto extremamente cativa da áurea da tua presença no meio da tua real ausência, um paradoxo absurdo , mas tão certo quanto o dia .
A constatação de não poder te esquecer, é tão assustadora mas mesmo assim sei que meu ninho esta ainda em teus braços,e esta constatação me acalma , me acalenta.
A felicidade ficou impossível de ser atingida, já sei que o colorido dos dias serão sempre iguais todos tingidos no royal azul da saudade.
E a descoberta no meu âmago foi tão clara ,tão simples e imaculada ...
Nasci só para te amar...
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