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terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Espantalho


O Espantalho



No meio da colheita
Desfila seu olhar
Ao acaso espreita
O dia que passa...


Quando nasce o sol
Já esta de prontidão
Na espera da vida
Faceira na criação.


Quando desce a noite
Beija a lua a musa
Encantado com o perfume
Lume o céu que cruza...

 
O mês é tranqüilo e faz de alguns dias mais belos que outros. Alguns dias cai do céu gotas de bela chuva de amor pela beleza do universo.
De amor o dia espera pela noite, triste nota os atos de destruição do animal racional.
O ser humano é imponente naturalmente .O impotente e imponente que sempre lança pedras quebrando o ecossistema perfeito e provando que ele tem muita estrada para percorrer e se tornar um ser criador.

Ah! O Espantalho fica lá mudo de olhar aguçado, pensando em tudo que passa pelos dourados trigais... Desde a pequena borboleta que pousa em seu chapéu para enfeitar suas vestes desajeitadas ,até o urubu buscando a carne apodrecida do inseto ou do homem que invadiu os abismos da destruição do seu habitat.

O Espantalho assim fica sem pressa de nada...
O espantalho sem relógio e sem hora, vendo o dia e noite fugindo sempre um do outro na incansável busca de um furtivo encontro. O dia e a noite formam um belo conjunto, um precioso casal na sua busca repetitiva de vem dia vai à noite do sentimento mais belo do universo, o Amor .

Espantalho, da família de muitos Espantalhos todos com bom provimento de palha boa e bem da cor dos trigais, olha como seria este Amor que mágica cativa tanto? E, no entanto, como estas palhas ficam perdidas nesta ilusão sem saber descrever a supremacia que merece o Amor e a criação.
 A natureza preciosa que vai assim se estendendo diante do olhar espantado quando entra o dia e depois cai à noite.
Quando a noite chega e continua de braços abertos, olhando não mais direto aos trigais, mas como um repouso merecido, o olhar se estende lá no azul cobalto do mais belo céu. Cativado pelas estrelas que enfeitam a magnitude do firmamento e ainda como para coroar tal beleza vem linda e faceira lua...
 Lua, que abusa e usa de todos os versos e prosas para se dar ao luxo de apenas ser citada já que é impossível olhar o céu e não buscá-la.

Então o Espantalho, pequeno aglomerado bem montado de palha, com todos os botões desta camisa emprestada. Ele fica parado respirando o perfume que a terra bendita exala, anunciando a chuva que vem de mansinho abençoar os trigais, no reino deste pequeno quintal.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


 


sábado, 10 de setembro de 2011

O Olhar e a Sala-- -Capítulo IX - Veredicto Final



O Olhar e a Sala-- -Capítulo  IX - Veredicto Final

A sala foi surpreendida em uma manhã ensolarada daquelas que o vento chega fazendo festa nas rodas da cortina, algo prometia logo mais, com certeza...
Era o Invasor apressando o passo no corredor e entrando na sala agitado com seu laptop escorregando sobre a mesa, sua pasta e seus muitos papéis de catedrático.
O peito arfava com algo em seu íntimo que acusava alguma decisão estava acertada.Ajeitou a cadeira, foi até a janela só para se acalmar, pois seu interior explodia...Ela a Íris o tinha levado à loucura com sua ausência proposital, com seus passos leves voltando no corredor; com suas indecisões cada vez mais temerosas, fazendo –o voltar às viagens coberto com o manto que ela usava de dúvidas; fazendo-o perder o gosto pela aventura, já que seu pensamento parecia colado ao seu nome.
Mas agora o limite tinha chegado...A decisão estava tomada e não era mais dela era só dele.O tempo havia determinando o desfecho que ele queria, tinha sido seu co-piloto nas artimanhas da vida.
Era só aguardar a chegada da Íris, pois ela viria, sentia dentro de si sua aproximação e tudo seria cobrado com juros acumulados, nesta ausência que o deixara com os nervos a flor da pele, a saudade queimando dentro de si e seu coração se rendendo em todas lembranças dos encantos de um beijo, tudo seria cobrado sem piedade...
A sala tudo observava, sentia na mesa a fúria no teclado se agitando sob os dedos do Invasor, a prosa pulsava em sua mão e tomava vida no texto que assumia todas as linhas da estória e a poesia...
Ah! A poesia se aproximava no corredor com a suavidade e a temeridade de quem sabe que será subjugada, que antes de ser escutada o Invasor já falaria seu veredicto no desfecho desta estória de apenas nove capítulos.
E foi com este passo que a Íris abriu a porta fazendo o Invasor ficar surpreendido apenas em um minuto, com sua imagem e seu olhar de tom mais acentuado como as águas de um rio que cobria os do Invasor, tão negros como a noite, tão intensos como os seus mistérios.
Um segundo apenas bastou para a Íris sentir-se puxada em um abraço inesperado, que em seguida sem uma única palavra foi raptada por um beijo intenso sem meios ensaios, um beijo que trazia toda volúpia que a emoção consegue arremessar os amantes em uma entrega total e sem volta...
Não havia mais nada a fazer, só se render ao Invasor nesta ânsia e neste desejo abrasador que lhe consumia o ar, não havia mais volta, a entrega era total seus braços entrelaçados em abraços apertavam-se concordando com todos os sonhos mais loucos, tornando realidade todas esperanças, mostrando que não haveria mais esperas.A decisão era esta, o jogo terminara sem vencedores apenas com a rendição da paixão de ambos e foi neste clima que uma única frase foi emitida, apenas para respirar o auge da posse.Quando o Invasor sussurra:
--Poesia, você é e será, sempre minha...
Então a Íris busca os seus lábios para jogar beijos de aceitação onde deposita os encantos das suas estrofes sob os lábios em Prosa do Invasor.
E assim silencia o vento nas rodas da cortina, aquece o sol pela fresta a sala, enquanto a Prosa e o Poema se amam intensamente nos quadrantes do tapete, sob o olhar cúmplice da arca que sorrindo sabe mais uma estória de amor seria fechada e guardada em suas gavetas no meio dos guardanapos de branco linho.
A Íris e o Invasor se transformam em Prosa e Poema e caminham sem pressa nos laços de abraços na mesma inspiração que só uma paixão tem o dom de criar e na escrita perpetuar.
Se o Invasor no inicio dos capítulos era amante da prosa hoje tem como melodia som da poesia e se a Íris era apenas versos hoje possui descontraída nas mãos as linhas da prosa para navegar além das estrofes.


Invade a prosa no poema
Sem aviso penetra nos versos
Faz acordes de rimas esquecidas
Tece abraços nas janelas dos parágrafos


Entrega-se o texto nas reticências...
Apaixona-se pelo encanto nas entrelinhas
Nas paralelas da liberdade esconde a métrica
Mas não perde a melodia de amar a poesia.


Sem perceber ambos se completam
Nas mesmas linhas, nos mesmos parágrafos.
Juntos possuem os mesmos pontos
Em seus corpos os mesmos sonhos.


Então se encerra uma só conclusão
Na arte da escrita a estrada se veste
Ora de prosa ora de poesia para expandir
A inspiração na arte do amor na criação.

Fim

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Olhar e a Sala-Capítulo VIII....Caminhos Incertos


O Olhar e a Sala-Capítulo VIII....Caminhos Incertos

O tempo na sala ficou ausente, tinha parado e tudo parece que estava estagnado sem a presença dos dois personagens principais que fazia a sala pulsar.
A vida andava diferente com a presença de ambos, a sala sentia o palpitar em cada olhar e girava removendo ilusões e sonhos que faziam até a arca tão silenciosa participar com o abre e fecha das suas gavetas na marcação de mais uma estória.
O invasor havia resolvido voltar das suas viagens, era um andarilho nato e a íris poderia fazer sua vida mudar, ele ainda não queria sentir todo aquele sentimento que tinha vindo pegar seu coração de surpresa.
A íris por sua vez queria voltar ao seu tempo, sem nada para perturbar sua vida tão sem movimentos bruscos, queria de volta sua estabilidade onde seus sentimentos caminhavam sob a luz do passado, o presente era fictício e o futuro apenas reprise do presente.
O invasor com seu porte e dominante a perturbava em demasia, subjugava sua vontade e isso seria muito para retirar do seu mundo e estilhaçar seu coração. O pavor de tanta mudança estava rondando e tudo isso era assustador.
Se por um lado o invasor era parte fundamental na sala, por outro o seu recanto sem ele ficava estranho.
A cortina já não brincava com o sol parecia querer e ser telespectador de uma cena que ainda não acabara. A mesa anfitriã estava estática esperando a chegada de ambos , pois até o vaso fazia apostas que ambos teriam que resolver o impasse. O tapete e a arca apenas observavam todas as apostas, na verdade a arca tinha um palpite, mas não queria fazer nenhum aparte, pois estórias de paixões assim eram sempre guardadas em suas gavetas.
O dia se findava, mais um dia se passou e a sala não teve visitantes, estranho que se ouvia passos chegando até a porta... Parava ... E retrocedia... Se distanciando ao longe...
A arca tinha observado tudo, tinha certeza que tanto a íris como o invasor, ambos tentaram voltar para sala, mas algo os detinha...
Incrível como um beijo pode atingir os amantes, deixando- os na mais louca indecisão de mudar caminhos e alterar o cotidiano.
A íris com sua poesia e o invasor com suas prosas ambas envolvidas na mesma linha e ambos tentando fugir das linhas já traçadas pelo destino.
Existe um tempo que uma prosa pode se transformar em poesia, mas e uma poesia poderia também se vestir em prosa?
Tudo a arca questionava e muitos detalhes da sala ela observava, com certeza saberia o desfecho de toda trama, mas estava silenciosa ainda não era o momento de revelar aos seus ocupantes qual seria o final...
Mais um final se preparava com certeza, fosse prosa ou poesia, um final era inevitável para resguardar mais uma vez as letras, nas gavetas dos seus mistérios mais um romance ali passado...

Clareia o sol carregando meus passos
Lembra teus abraços me buscando
Que se lança em seus lábios sorrindo
Na magia da vida que se pronuncia
O cristal da tua vontade que aguça
No cálice de um desejo impossível
Pedinte de licores de pétalas suaves
A sorver na fragrância de uma fantasia
O elixir do Éden na poesia.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Usina - O Nada


O Olhar e a Sala--Capítulo VII... A Fuga

O Olhar e a Sala--Capítulo VII...   A Fuga

A sala ainda sente a agitação das emoções da noite anterior. Apesar de vazia aguardando o regresso dos personagens principais, o clima ainda tem o aroma do amor.
O dia raiou sonolento, o sol esbanja preguiça na cortina que desliza nas mãos do vento, um triângulo prefeito.
No corredor lá fora surgem os passos, como sempre apressados com tempo do refúgio.
A íris adentra na sala e se surpreende com o vazio. O calor anterior parece que fugiu da sala, junto com o laptop e toda parafernália do dono. O invasor foi embora, não havia necessidade de palavras, nenhum bilhete, nada apenas o vazio recheado com o silencio da sala.
A íris toca os lábios, ainda sente o calor do beijo roubado vindo de um castigo doce e inesquecível. As emoções ainda agitam o corpo só de lembrar, o invasor fugiu com certeza com medo desta emoção incrível.
O momento foi intenso, o beijo foi além dos toques dos lábios, o corpo entrou em um fremir da paixão carregando sonhos, desejos incontidos, a libido desmedida. Assim o invasor no meio desta confusão de emoções fugiu...
Com estes pensamentos a íris envolvida pela quietude da sala se põe a escrever.
A falta do invasor é imensa, resolve ir até a arca e colocar uma música, sim só desta maneira consegue sentir sua presença. Agora conseguiria ir voar em suas páginas com o sabor do som que lhe invade a alma.
A sala assiste simplesmente tudo, a mesa sabe como pulsa as mãos da íris. O tapete sente os pés agitarem-se em baixo da mesa. Sabe que logo a íris vai voar sem o invasor...
E isso acontece rápido, ela se levanta, pois não agüenta a ausência da sala, tem que fugir também, pois o coração soluça no desejo não atendido.
Assim desliga o som e sai da sala deixando a platéia com a cena pela metade nesta manhã ensolarada...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®




domingo, 4 de setembro de 2011

Amor Magno



Ensaio de uma Fabela --- O Leão e a Gazela II


Ensaio de uma Fabela --- O Leão e a Gazela  II

A gazela estava a passear na savana
Era tão cedo, o sol ainda espreguiçava
A alvorada aquarelada no horizonte sumia...
Quando percebeu a gazela seu velho predador.

Não havia duvida, conhecia o seu fiel algoz
Tinha seu rastro gravado a leveza e a esperteza
Sabia bem o seu jogo, seu rosnado e sua corrida
Já o tivera em seu calço, ele tinha dado uma trégua...
Mas agora pelo visto voltava, com a barriga vazia.

Não ia ser ela o prato do dia, com calma ia fugir...
Deixava-o na espreita, ia fingir ir ao riacho, iludir...
Depois correr desgarrada para a mata fervilhando,
Até perder seu predador de vista, tudo rápido e planejado.

Mas o dia nada tinha determinado como pensara...
Ao fingir beber água um buraco no riacho encontrou,
Bem ali sua perna quebrou, que final mais tonto e louco...
Além de virar prato do dia do leão, estaria na bandeja,
Na bandeja do apetite voraz do leão sem outra solução.

Surpreendem-se mais uma vez com o dia, ao ver o leão
Vindo calmo em sua direção, passo firme olhos brilhando...
Olhou, fungou e puxou-a do buraco com ela petrificada.
Pegou sua perna, lambeu e abocanhou o osso puxando...
Colocou no lugar a perna, enquanto ela era só gemido.

O leão examinou-a, deixando sua juba esfregar na perna ferida.
Lambeu e mergulhou no infinito do seu pavor com seu olhar brilhante...
E sem mais rosnou, para que ela que dali sumisse, sem perguntas.
Afinal, ele era o leão, não o anjo do dia na savana ardente.
Um prato sem o gosto da caça é comida sem tempero, insossa...
Outro dia ele a pegaria na corrida excitante, estimulante de sempre...
Flamejante, no vôo da gazela na savana arfante.

Ou quem sabe como tantas vezes já fizera...
Deixaria ir só pra tê-la novamente, voando
Em outro amanhecer perfumando o ar,
Com a beleza da sua corrida na savana .
A corrida que tem o dom de explodir seu ser,
De ser o rei da selva desejoso da bela gazela.


Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®



Olhar e a Sala ...CapítuloVI...Sinfonia de um Beijo


Olhar e a Sala  --- CapítuloVI ---
Sinfonia de um Beijo

A sala encontrava-se adormecida em uma fresta da lua.O raio do luar mostrava que as estrelas estavam alertas ao evento que se preparava para desenrolar.  
O silencio era quebrado apenas com alguns passos ansiosos, as botas faziam ranger o assoalho.Quando a imagem atravessava a luz da lua ,distinguia-se apenas a roupa negra como a noite.
O invasor dono da sala, era quem se agitava na escuridão, mostrando sua inquietude ao relógio cujos ponteiros alheios andavam acelerando o tempo.
As horas passavam e seus passos ansiosos ,iam e voltavam conscientes da audácia da íris em seu atraso.
Em um dado momento, ouviu passos suaves que corriam no corredor lá fora. Nem precisava olhar conhecia bem aquela suavidade que voava como uma borboleta amedrontada.
O momento de dar a desforra , pelo atraso havia chegado e a escuridão da sala era propícia ao seu intento.
Esperou estrategicamente a íris chegar bem junto da porta, como cúmplice tinha o elemento surpresa. Quando ouviu o trinco ceder chegou o momento exato da sua ação. Abriu a porta rapidamente e agarrou as mãos pequenas ;puxando contra seu peito o corpo leve, levando um choque inesperado com o toque!
As suas mãos surpreenderam –se com a suavidade, contornaram a cintura trazendo o corpo mais próximo de si. A luz da lua brilhava mostrando os fios dourados da veste, véus que davam toda leveza e sutil transparência...A máscara apenas moldava os olhos destacando as íris verdes brilhando como um mar agitado. E os lábios vermelhos prontos para beijar num convite irresistível.
No calor do momento a íris suspensa na escuridão sentiu quando seus lábios foram tragados em uma onda de paixão.Retribuiu ao calor com a mesma intensidade , se entregando ao torpor do momento.
As mãos firmes em seu corpo eram como correntes tornando-a cativa da paixão alucinante.O corpo que a envolvia era como asas de um falcão que a levava como presa nas alturas da sedução.
E mesmo cativa sentiu, quando seu algoz perdeu a razão do domínio, se entregou nas imensidão do calor do beijo intenso...
O falcão voava nos véus , roçando as suas mãos na busca da pele que o perfume lhe inebriava, enquanto o beijo tinha o sabor do interminável prazer.
O tempo avisou nas badaladas do relógio que o tempo tinha que ser rompido, prolongar a entrega seria um passeio sem volta .O invasor sentiu que este seria o momento, de parar ou a necessidade da posse chegaria ao limiar, do insustentável desejo que alucina o ser...
Era um querer mais e mais, quanto mais sentia o calor do beijo maior o desejo de completar o sonho.O corpo flamejava, como a libido fora ativada em tal patamar se tudo tinha sido iniciado apenas como um castigo pelo atraso .E agora o castigo se invertia , pois desprender-se dos lábios seria a punição maior do desejo incompleto, o desejo de ficar com a íris em um tempo interminável nos braços e acalentar todos sonhos mais loucos num misto de punição em forma da mais simples consagração.
A íris que se entregou na avidez do invasor, voltou a si e interrompendo o momento fugindo da sala no meio da escuridão.
O baile terminara antes mesmo de começar a música, mas a partitura estava escrita com toda nobreza da paixão. A íris tivera o bom senso , ou apenas confirmara com sua fuga que a punição que ele agora recebia a ausência do perfume e o sabor do beijo.
A íris voltou a sumir com seus passos agitados no corredor do mesmo modo que chegara.Só que o coração pulsava descompassado...
E o invasor ficou a olhar as estrelas pela fresta, numa atitude franca de quem agora tinha uma nova reformulação.Um beijo, um único beijo colocava em terra sua liberdade e aventura, as viagens estavam todas jogadas no meio do nada...Cativo de um beijo se tornara...
Fugir ...Precisava fugir, respirar o ar de fora da sala, já que o perfume da íris ainda estava na sala e o deixava com o coração palpitando em agonia pela perda, a sede da paixão fora suspensa....
Fugir seria o suficiente para manter sua mente longe da íris e outros mares acalmariam seu mundo interno.
Como que anotando tudo a sala observava a corrida do invasor, levando seus pertences assustado em sua maleta clássica...
E assim a lua deixava na sala sua magia inacabada , como uma brincadeira do universo de mostrar a força dos sentimentos espalhada em estrelas de emoção aqui na terra....

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

O Olhar e a Sala-Capítulo V --- O Convite


O Olhar e a Sala - capítuloV  -
O Convite


A íris saiu em busca do seu refúgio no meio do dia, quando o sol estava em alta.
Sem pensar fazendo dos passos um vôo , para poder aproveitar mais o tempo.Já que as horas tinham sempre o poder de ser mais rápidas, deixando apenas frações para suas andanças no meio das letras.
A íris parou diante da porta , ainda fechada, ajeitou os cabelos para demostrar equilíbrio ou recuperar o mesmo ,que longe estava de sentir.E assim ainda agitada entrou na sala.
O invasor apenas olhou com um sorriso matreiro para ela e para o relógio mostrando que estava atrasada. Sorriu observando sua calma aparente.
A íris sentou-se em seu lugar, abriu a gaveta retirando seus papéis e a caneta, vendo que o tac..tac do pc voava.O seu olhar dirigiu-se ao invasor que capturou quase engolindo sua audácia.Agitaram-se mais as águas verdes e isso era impossível de esconder, ele já conhecia todas suas nuanças.
Silenciosa acabou por se concentrar na sua escrita, quando um envelope foi enviado deslizando na mesa.Sempre tudo no mais fantasmagórico silêncio.
Ela sabia que devia pegar, mas ficou como uma estátua, em um pedaço do tempo apenas para desafiar o invasor incisivo. Que simplesmente não esperou .Puxou sua mão sem palavra alguma num toque que até ele sentiu, mas quebrou a magia ,colocando a carta na palma da sua mão.
Num gesto rápido e afobado ato o fez ficar sisudo, o choque do primeiro contato foi eletrizante, e suficiente para o olhar ficar acinzentado e ganhar o jogo desta vez.
O sorriso desafiava, apesar de meigo mas ciente do ocorrido as emoções do invasor existiam.
Resolveu não abusar da sorte, abriu a carta e ficou pasma ao ler.Era nada mais nada menos ,que um convite para um baile de máscaras e seu para seria o invasor!!!
Quem sorriu agora em plena maldade fora ele, ficando a vontade na cadeira olhava-a sem pressa como um falcão analisando cada centímetro da sua presa ou seja do seu rosto. O jogo revertera em poucos segundos o convite aniquilara sua ousadia.Tudo parou até o tempo ao redor.
A sala apenas observava tudo consciente das emoções, que agora brincavam com seus dois hóspedes.
Há muito tempo que o espaço não sentia tanto glamour dos sentimentos, reviver estas sensações deixava a sala viva colorida em sua nobreza.
O sol já nem pensava mais em suas artes com o vento e a cortina, que passaram também a assistir o novo quadro que se pintava no local.
A mesa sentia toda vibração das mãos que pousavam em seu tampo, toques agitados, corridos, ansiosos.
O tapete sentia o compasso da mudança da posição dos pés ,que em harmonia se mexiam em seus espaços em uma dança silenciosa e harmoniosa.
A arca muda apenas assistia, enquanto que o vaso sobre a mesa sorria antevendo todas as fantasias ali traçadas nas linhas do pc ou nas linhas do papel que agora mudavam invadindo espaços ora na prosa ora na poesia.Ainda escondidos o pc se deixava levar pelas mãos da brisa voando em versos enquanto que o vento agitava o papel rodopiando nos caminhos da prosa.Depois quando tudo serenava os dois hóspedes voltavam a desfilar cada um em sua melodia o invasor na prosa e o olhar esverdeado na poesia.
O relógio aponta a hora, novamente o tempo fica curto, os papéis são guardados na gaveta apressadamente, na agitação dos segundos o convite acaba caindo.
O invasor se coloca obstruindo o caminho,pega o convite com a caneta assinala o horário mostrando que não admite atrasos.
E tentando mostrar que tem a força, dobra o convite nas mãos do olhar e as fecha alisando numa atitude de pura audácia prendendo entre as suas num tempo a mais do relógio.
O toque é suave e aquece ambos que estáticos se prendem a olhar ambos o envolvimento das mãos.
A íris lança faíscas do mais puro verde, e foge ainda sentindo a sonora gargalhada da brincadeira ousada do invasor que mais parece um enigmático falcão.
Longe do poder do invasor o olhar respira compassadamente, pensando agora como ir neste baile do qual não pode fugir e como estaria fantasiado o invasor?
Mas tudo isso é algo para pensar em um outro momento quando o tempo em sua lacuna deixar a íris viajar em mais uma aventura.
Enquanto isso o desfile da prosa e da poesia fica no ar até o tempo certo aparecer ...

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O olhar e a sala - Capítulo IV.....O Invasor



O olhar e a sala  - Capítulo IV.....O Invasor


A porta da sala esta fechada, o olhar costumeiro se assusta e força o trinco entrando agitadamente.
O assombro ao ver o invasor de costas é assustador. Como se fosse congelada, o olhar verde acinzentado se veste de um brilho verde esmeralda tal a sua surpresa e agitação.
O invasor , não se abala com sua entrada, esta plenamente acomodado a sala é seu domínio , o espaço é território altamente conhecido.
Sua figura ai faz parte tanto quanto as mobílias.
Como um viajante que retorna ao ninho a sala o acolhe como seu senhor no espaço ,sua figura ardente e dominadora.
O olhar esmeralda recompondo-se vistoria a sala e os detalhes para notar se tudo ainda esta presente. Mas apesar de nada faltar , não esta com a mesma composição.
O estilo do invasor tomou posse da sala e ela permitiu toda a mudança servilmente e ainda regozija com sua presença.
O vento esta lá namorando a cortina, o sol lá fora olhando ciumento sem poder entrar.
A arca esta formosa com as gavetas reviradas sorrindo ao invasor que com suas mãos acariciou seus detalhes.
O tapete continua estagnado sustentando sua musa a mesa, que no momento só tem olhos para servir ao invasor segurando suas abusadas irreverências.
O caos esta instalado na mesa, o vaso do centro ficou sufocado fora de foco com a chegada da mais novo inquilino o leptop. Um sujeito moderno desfocado no contexto da sala. Mas que como seu dono é espaçoso e arrogante ,dominador, como um nobre dos tempos atuais.E todo ambiente fica relegado como míseros mortais da classe renascentista da sala.
No resto da mesa potes e mais potes de comidas fastfood misturadas aos talheres de prata e copos de cristais criando um choque espantoso ,parecendo tudo aquilo aos olhos um campo de batalha entre a renascença e o modernismo.
O invasor lá apossado ainda tinha todos os disquetes empilhados ao lado dos potes.
A íris esmeralda senta bem em frente ao invasor, olha-o com faíscas de um ícone renascentista e em troca recebe um sorriso audaz de quem é dono e chegou para brilhar.
A íris pega na gaveta da mesa suas armas a caneta e seus papéis, sentindo o silencio de outrora tem agora o tac-tac do invasor e terá que se acostumar a sala já o acolheu.
Envolvida em um impulso, ela levanta-se pega uma cesta de vime e retira da mesa todos os potes de comida do sorridente piquenique. Coloca o vaso e a toalha em seus devidos lugares dos quais recebe um suspiro de alívio. Retira da arca a bandeja de prata , o cálice de água e a jarra que coloca comportadamente na frente do invasor. Num claro recado que podia brilhar no espaço , mas sem estardalhaços.
O invasor apenas sorri numa evidente resposta de que estava consciente de toda agitação que a íris estava sentindo. E com seu silêncio cheio de palavras continua teclar seu texto vigilante ao respirar da íris. Ele se posiciona na cadeira demonstrando que quem roubou o refugio foi ela e que ele é o senhor da sala.
A íris agita seu brilho, sabe que é verdade; as cartas encontradas na gaveta da arca eram dele repletas de viagens, amores , estudos e desamores, reflexões. Ela sabe que tudo ali é conhecimento dele, os livros dentro do fundo da arca, eram a maior prova com seu nome cravado em letras douradas.
O invasor assente com suas mãos que ela deve permanecer e que seu lugar é exatamente ai perto e distante em horizontes na mesma tábua daquela mesa. As suas mãos não admitem outra posição. Ele a quer assim silenciosa com sua caneta soando apenas o som da virada das folhas.
A íris sente-se fragilizada, acorrentada a vontade do invasor , presa nos grilhões do seu sorriso, despida no movimento das suas mãos audazes. Ela esconde seu brilho de rebeldia abaixando as pálpebras, transporta-se ao papel em uma enxurrada de palavras. O invasor desata em uma sonora gargalhada de vencedor na batalha calada ali travada, entre ele e a íris esverdeada que tanto o instiga.
Ela o olha , brilha em raios verdes de quem se submete no momento instalado, mas agirá dentro das asas da sua liberdade ainda que sejas pequena perante o forte invasor.
O vento se agita na cortina avisando que a hora da lua esta chegando, tem que se despedir da sua amada. O invasor afasta a cadeira e com passos firmes vai até a janela fechando sem perceber as nuanças ali vividas.
A sala entra na penumbra , o invasor conhecedor do espaço ascende a luz dos candelabros e liberta seu sorriso mostrando que vai abrir a caixa de vime.
A íris reage lançando seu brilho na jarra d’água. Ele fecha o sorriso e aceita sua vontade. Vai na arca e abre uma das portas aciona o aparelho de som inundando a sala com uma música de final de tarde.
A íris brilha aprovando e volta mergulhar em sua folha. O invasor se aquieta e senta em seu posto de volta, ao tac-tac do seu teclado.
A íris já mergulhada no ardor da sua fantasia, sabe que o invasor acompanha suas delicadas linhas.
O invasor é altamente encantador, dono de uma inteligência magnifica e consegue atingi-la no seu ponto mais vulnerável.
Mostrando o seu domínio faceiro conquistando-a com as terras riquíssimas do seu texto .
A ela só resta no momento se soltar nas linhas da sua poesia:
A sala honra o invasor
Nas paredes dos papeis viajados
Desvendando os mapas secretos das íris
Perfumes de outrora confinados
No meio de ardentes versos.

O vento dança na cortina da ilusão
Nas mãos do invasor competente
Jogada de um olhar a cintilante íris
Desnudada de suas frágeis letras
Em entregas de flamejantes quimeras.

A arca conjuga a inspiração do invasor
Nas palavras que nascem como estrelas
Descobre nas íris os desejos que o invade
Arfando em beijos emoldurados
Nos braços que se fecham vorazes.


O tapete transporta a recente ilusão
Solicita no encanto de cada verso
As caricias unindo em uma só paixão
Uma só poesia vivida na prosa
As viagens das linhas em ebulição.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®