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sábado, 10 de setembro de 2011

O Olhar e a Sala-- -Capítulo IX - Veredicto Final



O Olhar e a Sala-- -Capítulo  IX - Veredicto Final

A sala foi surpreendida em uma manhã ensolarada daquelas que o vento chega fazendo festa nas rodas da cortina, algo prometia logo mais, com certeza...
Era o Invasor apressando o passo no corredor e entrando na sala agitado com seu laptop escorregando sobre a mesa, sua pasta e seus muitos papéis de catedrático.
O peito arfava com algo em seu íntimo que acusava alguma decisão estava acertada.Ajeitou a cadeira, foi até a janela só para se acalmar, pois seu interior explodia...Ela a Íris o tinha levado à loucura com sua ausência proposital, com seus passos leves voltando no corredor; com suas indecisões cada vez mais temerosas, fazendo –o voltar às viagens coberto com o manto que ela usava de dúvidas; fazendo-o perder o gosto pela aventura, já que seu pensamento parecia colado ao seu nome.
Mas agora o limite tinha chegado...A decisão estava tomada e não era mais dela era só dele.O tempo havia determinando o desfecho que ele queria, tinha sido seu co-piloto nas artimanhas da vida.
Era só aguardar a chegada da Íris, pois ela viria, sentia dentro de si sua aproximação e tudo seria cobrado com juros acumulados, nesta ausência que o deixara com os nervos a flor da pele, a saudade queimando dentro de si e seu coração se rendendo em todas lembranças dos encantos de um beijo, tudo seria cobrado sem piedade...
A sala tudo observava, sentia na mesa a fúria no teclado se agitando sob os dedos do Invasor, a prosa pulsava em sua mão e tomava vida no texto que assumia todas as linhas da estória e a poesia...
Ah! A poesia se aproximava no corredor com a suavidade e a temeridade de quem sabe que será subjugada, que antes de ser escutada o Invasor já falaria seu veredicto no desfecho desta estória de apenas nove capítulos.
E foi com este passo que a Íris abriu a porta fazendo o Invasor ficar surpreendido apenas em um minuto, com sua imagem e seu olhar de tom mais acentuado como as águas de um rio que cobria os do Invasor, tão negros como a noite, tão intensos como os seus mistérios.
Um segundo apenas bastou para a Íris sentir-se puxada em um abraço inesperado, que em seguida sem uma única palavra foi raptada por um beijo intenso sem meios ensaios, um beijo que trazia toda volúpia que a emoção consegue arremessar os amantes em uma entrega total e sem volta...
Não havia mais nada a fazer, só se render ao Invasor nesta ânsia e neste desejo abrasador que lhe consumia o ar, não havia mais volta, a entrega era total seus braços entrelaçados em abraços apertavam-se concordando com todos os sonhos mais loucos, tornando realidade todas esperanças, mostrando que não haveria mais esperas.A decisão era esta, o jogo terminara sem vencedores apenas com a rendição da paixão de ambos e foi neste clima que uma única frase foi emitida, apenas para respirar o auge da posse.Quando o Invasor sussurra:
--Poesia, você é e será, sempre minha...
Então a Íris busca os seus lábios para jogar beijos de aceitação onde deposita os encantos das suas estrofes sob os lábios em Prosa do Invasor.
E assim silencia o vento nas rodas da cortina, aquece o sol pela fresta a sala, enquanto a Prosa e o Poema se amam intensamente nos quadrantes do tapete, sob o olhar cúmplice da arca que sorrindo sabe mais uma estória de amor seria fechada e guardada em suas gavetas no meio dos guardanapos de branco linho.
A Íris e o Invasor se transformam em Prosa e Poema e caminham sem pressa nos laços de abraços na mesma inspiração que só uma paixão tem o dom de criar e na escrita perpetuar.
Se o Invasor no inicio dos capítulos era amante da prosa hoje tem como melodia som da poesia e se a Íris era apenas versos hoje possui descontraída nas mãos as linhas da prosa para navegar além das estrofes.


Invade a prosa no poema
Sem aviso penetra nos versos
Faz acordes de rimas esquecidas
Tece abraços nas janelas dos parágrafos


Entrega-se o texto nas reticências...
Apaixona-se pelo encanto nas entrelinhas
Nas paralelas da liberdade esconde a métrica
Mas não perde a melodia de amar a poesia.


Sem perceber ambos se completam
Nas mesmas linhas, nos mesmos parágrafos.
Juntos possuem os mesmos pontos
Em seus corpos os mesmos sonhos.


Então se encerra uma só conclusão
Na arte da escrita a estrada se veste
Ora de prosa ora de poesia para expandir
A inspiração na arte do amor na criação.

Fim

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®

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