O Espantalho


O Espantalho



No meio da colheita
Desfila seu olhar
Ao acaso espreita
O dia que passa...


Quando nasce o sol
Já esta de prontidão
Na espera da vida
Faceira na criação.


Quando desce a noite
Beija a lua a musa
Encantado com o perfume
Lume o céu que cruza...

 
O mês é tranqüilo e faz de alguns dias mais belos que outros. Alguns dias cai do céu gotas de bela chuva de amor pela beleza do universo.
De amor o dia espera pela noite, triste nota os atos de destruição do animal racional.
O ser humano é imponente naturalmente .O impotente e imponente que sempre lança pedras quebrando o ecossistema perfeito e provando que ele tem muita estrada para percorrer e se tornar um ser criador.

Ah! O Espantalho fica lá mudo de olhar aguçado, pensando em tudo que passa pelos dourados trigais... Desde a pequena borboleta que pousa em seu chapéu para enfeitar suas vestes desajeitadas ,até o urubu buscando a carne apodrecida do inseto ou do homem que invadiu os abismos da destruição do seu habitat.

O Espantalho assim fica sem pressa de nada...
O espantalho sem relógio e sem hora, vendo o dia e noite fugindo sempre um do outro na incansável busca de um furtivo encontro. O dia e a noite formam um belo conjunto, um precioso casal na sua busca repetitiva de vem dia vai à noite do sentimento mais belo do universo, o Amor .

Espantalho, da família de muitos Espantalhos todos com bom provimento de palha boa e bem da cor dos trigais, olha como seria este Amor que mágica cativa tanto? E, no entanto, como estas palhas ficam perdidas nesta ilusão sem saber descrever a supremacia que merece o Amor e a criação.
 A natureza preciosa que vai assim se estendendo diante do olhar espantado quando entra o dia e depois cai à noite.
Quando a noite chega e continua de braços abertos, olhando não mais direto aos trigais, mas como um repouso merecido, o olhar se estende lá no azul cobalto do mais belo céu. Cativado pelas estrelas que enfeitam a magnitude do firmamento e ainda como para coroar tal beleza vem linda e faceira lua...
 Lua, que abusa e usa de todos os versos e prosas para se dar ao luxo de apenas ser citada já que é impossível olhar o céu e não buscá-la.

Então o Espantalho, pequeno aglomerado bem montado de palha, com todos os botões desta camisa emprestada. Ele fica parado respirando o perfume que a terra bendita exala, anunciando a chuva que vem de mansinho abençoar os trigais, no reino deste pequeno quintal.

Marli Franco
Direitos Autorais Reservados®


 


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