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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Carta IV ---Ao meu amor ,do centro da minh´alma


Carta IV ---Ao meu amor ,do centro da minh´alma

No centro da minha alma encontro partituras escondidas, cobertas pelos papéis de lembranças esquecidas do ontem, debaixo dos meus afluentes noturnos de lágrimas.

A nostalgia cala neste mergulho insensato, sem fugir do meio do nada que no concreto me rodeia.

Pródigo silêncio que impera no momento...

O âmago da alma suspira em prol dos dias anteriores, não há o que pedir ou esperar na estância da saudade.

O presente tem a cor alaranjada das aquarelas bem diluídas , o futuro é só um arco-íris para brincar que os dias poderão ser tingidos de um colorido qualquer, já não importa a matiz que vai se atingir.

Na fresta de uma trilha destas minhas planícies d´alma, nota uma ilusão perdida no acaso de um dia qualquer em que foi plantada.Pousa na sombra de uma cicatriz sem mais pulsar pelo sol ou pela noite.Pobre ilusão parece mesmo um dia no ínicio do inverno tão pálida,tão esquecida no canto de um dia bem vivido.

O caminho para ilha da solidão é paradoxal, o absoluto sentimento se une ao relativo conformismo da vida . As brumas esperam silentes nesta hora calada da melancolia.A alma sente na superfície o absurdo da ausência mais que profundo.O olhar absorve todo plano de busca as portas de tantos mecanismos entre o possível e o inatingível se estende sem abrir, o silencio reina camuflado de serenidade mostrando o caminho da mais profunda dor...

A dor de te amar e saber que não posso mais te ter nesta dimensão...

Os anos se passaram como as marés, senti dia após dia,do sol quando raiava ou quando as estrelas anunciavam a chegada da noite . Criei mergulhos no nada para te sentir além da minha própria imaginação...

Mentir a mim mesma não vale neste mergulho isolado,não posso deixar de te amar, é como não sentir um sopro da brisa em minha pele, é a constatação mais clara como o vento que é bem vindo em dia de verão .Não posso enganar-me mais, te amo ainda em cada minuto que por mim atravessa, em cada dia que amanhece,já não importa o como e nem tão pouco os porquês,este amor que pulsa sem domínio , como o barulho do mar em tormentas...

Sei que esta além de mim esta força, sei que sou dominada por ela e que não tenho mais como mudar e nem quero mudar esta razão de viver.

Amar-te é como respirar , não posso mais deixar de sentir esta vibração na minha essência. Tem a mesma cadência do meu coração , uma parte tão absurdamente inserida dentro de mim, como o teu sobrenome que faz parte do meu nome.

Sou apenas tua ainda,me sinto extremamente cativa da áurea da tua presença no meio da tua real ausência, um paradoxo absurdo , mas tão certo quanto o dia .

A constatação de não poder te esquecer, é tão assustadora mas mesmo assim sei que meu ninho esta ainda em teus braços,e esta constatação me acalma , me acalenta.

A felicidade ficou impossível de ser atingida, já sei que o colorido dos dias serão sempre iguais todos tingidos no royal azul da saudade.

E a descoberta no meu âmago foi tão clara ,tão simples e imaculada ...

Nasci só para te amar...

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